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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ilha



Ilha


Eu me esqueci de te contar sobre o meu último sonho.
Você bem sabe que eu sempre sonho, todas as noites e dias, dormindo ou acordado. Mas, esse me marcou de um modo peculiar e agora, quando me preparo para contá-lo, por em palavras escritas tudo o que apenas tinha se dado em minha cabeça, sob meus olhos fechados, eu noto que essas cenas foram mais do que apenas um joguete do subconsciente. Era uma verdade.
Nesse sonho, você era uma ilha. Uma ilha que eu pretendia descobrir, e o tinha. E eu precisava te dizer várias coisas que faziam todo o sentido para mim, mas que, de certa forma eu sabia que não fariam nenhum sentido para você.
Precisava imensamente te dizer:
- Eu sinto tanto a sua falta. E estou caindo...
Eu deveria ter deixado você saber.
E no sonho eu entrava em você, nessa ilha que eras, e começava a vasculhar um lugar vulnerável, aconchegante, onde pudesse me guardar e te descobrir de um jeito mais singelo, doce, delicado.
Você me disse várias vezes o quanto você era errada e desconexa. Mas eu também sempre retruquei, não ligo.
E eu estava cansado e ofegante, mas não podia dormir. E dava o máximo de mim, mas não te alcançava. Eu tinha o que queria, mas não o que precisava. E eu precisava de você. Tentava consolar suas lágimas sobre algo que você perdeu e não pode substituir. E eu não era essa coisa.
Eu queria tanto te desvendar, descobrir seus segredos e guardá-los comigo. Te consertar. Te ajudar a cescer e a ser alguém mais do que você nunca sonhou. Mas você estava tão apaixonada por sua solidão que não conseguia deixá-la ir.
Creio que você me pergunta agora o porquê. E eu te respondo que quando a gente ama, não precisamos, exatamente, de um motivo... E afinal de contas, o seu sorriso é motivo o suficiente.

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