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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lágrimas de uma Alma Solitária.




Lágrimas de uma alma solitária.





Ela conta sua própria estória, e nesta, em poucas linhas retratadas, relata como e quando apenas, esta alma, solitária e ofegante, encontrou plenitude tal, que não seria possível descrevê-la com palavras.



Tudo começou um sentimento, é verdade. Sentimento que se tornou uma esperança. E logo após um pensamento, que depois disso se tornou uma palavra quieta, um mundo calado. Agora, é um grito de guerra.

Poderia contar uma coisa mais interessante pra você acho. Afinal eu duvido que se interessaria pela estória de uma alma, uma alma qualquer, como eu. Mas eu, como toda alma, tinha um corpo, e esse corpo me fazia sentir e chorar e doer e me encolher. Então quando esse corpo não pensava muito bem em mim, eu sofria, e ele sofria comigo, chorava comigo, mas quem perdia parte se si era eu. Eu era aquele que no vim das contas ficava imperfeita, vazia, sozinha. Meu corpo se entorpecia, e eu passava a chorar sozinha e minhas lágrimas eram como ácido que abriam buracos em mim mesma e eu não sabia o que era tranqüilidade, compania.

Mas o que eu poderia fazer? O fato era que eu não me pertencia, no fim do dia, a escolha não era minha. Era de meu corpo, e de seu espírito aventureiro. Ele esquecia de mim, e eu me forçava ao mesmo, mas como se esquecer de si mesmo se está confinado á um espaço pequeno, trancado com nada mais do que si, e si. Não havia nada mais em que pensar ou ninguém mais com quem conversar. Não havia nenhum corpo perto o suficiente para que eu pudesse lhe chamar a alma. E meu corpo era tão egoísta, egocêntrico. Eu poderia usar muitas palavras, mas no fim todas significam a mesma coisa.

Mas um dia, depois de anos de abuso de meu corpo sobre mim, aconteceu algo extraordinário. Estávamos tão alheios de todos que talvez, se eu não estivesse atenta teríamos perdido. Não sei o que meu corpo viu, mas o que eu vi foi outra alma. Tão sozinha e lacrimosa quanto eu. Esquentei dentro de meu corpo dando pulinhos de felicidade e gritinhos de alegria. Acho que meu corpo entendeu, por que em pouco tempo aquela outra alma estava tão perto de mim que eu pude puxar assunto. E conversamos por horas... Em pouco tempo nos tornamos uma. Uma só alma e nunca mais nos separamos. Não houve mais entorpecimentos do meu corpo, na verdade, quando estávamos com aquela alma, era como se vivêssemos entorpecidos. De um modo bom...

Hoje não tenho mais um corpo, mas ainda tenho duas almas...


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