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sábado, 19 de setembro de 2009

Caminhos.



Entre dois caminhos perigosos eu me reparto, se eu pudesse mudar a pele que carrego, o faria.
Da minha voz mais profunda, traria melhores meios de cantar ou dizer, mudar.
Ainda parada aqui, nessa bifurcação, observe ambos caminhos escuros. Nada sei o que dizer deles, a não ser que me puxam, arrastam e eu não posso distinguir qual o mais arrebatador.
E enquanto eu não me decido, sinto mãos sobre mim, me dizendo que eu posso voltar se quiser. Mas não quero.

Tudo pode desabar em um piscar de olhos, isso acontece o tempo todo, você me diz.
E se eu pudesse mudar a pele que carrego pela sua, ou a que cobre os caminhos eu poderia dizer o que mais me agrada.

Mas você me puxa pela mão, um minuto, você me diz. Eu tiro os olhos da encruzilhada dos caminhos e olho para seus olhos verdes, enquanto atrás de mim eu sei que o outro caminho nos observa.
Você aponta os montes e eu respiro e aprecio a vista. As cachoeiras que nunca serão nossas e os pássaros que nunca seremos.
Mas o tempo apressa e meu coração descompassa. As duas mãos ocupadas, e me prendem e eu não sei mais me soltar.

E não faço a mínima idéia de qual caminho escolher.

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