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domingo, 28 de junho de 2009

Carta,





Olá.

Ou talvez eu devesse começar com "bom dia". Mas apesar de ser dia para mim, quem garante que será para você. Ou ao menos bom. Não tenho como dizer, então começo com o tradicional "olá".

Essa missiva é somente para te lembrar que estarei aqui. Sempre.

Você foi embora, deixando somente um vento frio onde antes era seu lado da cama.

O sol no horizonte me lembra, igualmente, que tudo chega ao fim. Asim como o "bom dia" é finito, assim é o amor, a vida, a história.

É verdade, você se foi e eu nada fiz para que ficasse. Mas achei que seria bom se você lesse algo, algo que talvez fisesse com que você visse que eu não era completamente indiferente à sua partida.

Desculpe por fingir que não me importava, e por muitas vezes, fingir tão bem que até eu mesmo acreditava.

Eu ainda te amo, ainda que não queira.
Tenha um bom dia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Céu azul, blue e amarelo.

Apenas cores, pintam a vida.
Azul, blue, amarelo.
Cor dos seus olhos, se apenas...
Cores na aquarela.

Poderia falar, seu espírito, meu iterlocutor.
Te espero anciosa, perdida no espaço.
Se a música preenche, nós vamos em frente
Colorindo o céu sempre.

Azul, blue, amarelo.
Se brincamos com as pessoas, cores provocam deslumbramento.
Ok, talvez esteja um pouco atordoado entre sentimentos.
Nem sempre sentimos saudades daquilo que perdemos.

Cores e mais cores dançam.
Nada faz sentido na tela.
A verdade é mais do que colorida
O que devemos é usar mais ela.

Azul, blue, amarelo.
Nunca fui poeta, mas as palavras são gratuitas
Então as uso como as cores
Para cantar o universo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009




Meu Amor.




Quando ela me olhou com aqueles olhos marejados, as lágrimas encobrindo seu verde maravilhoso, notei que definitivamente havia algo errado. Estávamos no topo da montanha, e o mundo abaixo de nós parecia simplesmente não existir.
Acompanhei os movimentos de seus braços alvos, e ela levou as mãos ao pescoço gracioso, que por tantas vezes eu havia beijado e cheirado a fragrância inebriante que seu corpo emanava. No momento que ela estendeu o colar dourado em minha direção, as lágrimas já rolavam pelo seu rosto mimoso. Seu cabelo, tão vermelho, balançava ao vento, e as sardas graciosas espalhadas pelas bochechas, tornava ainda mais doloroso suportar seu olhar angustiado.
Poderia observa-la por anos a fio, mas somente arrancando a alma que eu carregava. Oh! Amor! Que o nome que lhe deram não era o suficiente. Meu Anjo.
Estiquei minha própria mão, morena, calejada pelo trabalho, cansadas, brutas. Ela soltou o colar. O pequeno pingente de diamante brilhava esplendidamente sob a luz do Sol. Lembro-me bem do Sol, naquela tarde fatídica. Pois enquanto o céu se deixava pintar, perdido em seus tons arroxeados, mostrando que a escuridão chegava para a Terra. Assim como meu Amor me mostrava que a luz, que era ela, somente ela, que reinava em meu coração, havia, finalmente, se perdido.
Suspirei. Ela chorava copiosamente, mas seu rosto era impassível. Apenas seus olhos mostravam a Dor que ela sentia. Olhei de novo para minha mão, aberta, segurando o cordão que tanto significava para ela. Um pequeno anjo dourado com um coração de diamante. Sem dúvida era a personificação dela para mim.
Levantei meus olhos, encarei seus olhos. Morri. E quando a boca mimosa se desdobrou em um sorriso, daqueles que me perfurava o coração de modo tão completo que eu sentia como se todo o meu corpo jazesse em um mar de rosas. Morri de novo. Cada vez, era isso que ela fazia. Matava-me com sua distância, apenas para reviver-me, ressuscitar-me, com seu amor.
Beijou-me e minha Alma palpitou, ela sentiu. Mas isso não impediu meu Amor de se virar, dar as costas para mim. Dessa vez para nunca mais voltar. Olhou me mais uma vez, agora, cintilava abertamente, mostrando sua luz. Cortando-me, dilacerando-me o Espírito. Oh Deus!
E então voou. Exatamente como eu sabia que ela faria. Voou para o céu do crepúsculo, levando meu coração, amarrado ao seu. E na minha mente, morrerei lembrando de seu sorriso. Nada mais luminoso. Tanto quando o Sol. E seus olhos, que aprisionavam a mim mesmo, que roubavam o brilho das estrelas.
Meu Amor, meu Anjo.
Ainda estou na montanha.