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terça-feira, 26 de maio de 2009

O Despontar da Lua (Continuação)




Victor a esperava impaciente. Às vezes queria fazer a vez de “homem da relação”, fracassando freqüentemente. Apesar de vampira, Aislin era muito independente e dona de si. Afinal tinha, nada mais, nada menos, que cinco mil anos. Meia década de milênios nas costas. Victor não se cansava de ouvir das suas incontáveis histórias, que sempre contava depois de uma boa hora de amor, que era por acaso muito bom, descobrira Victor. Por mais que ela nunca alcançasse o êxtase máximo pela penetração, como o mais novo, mas sim pela mordida. Adorava servi-la com seu sangue, e ela mesma já o presenteara com o próprio, que o deixou desacordado por alguns dias, por sua força e antigüidade.
Ela lhe contava sobre o cristianismo, sobre Paulo e os celtas. Apesar de nunca contar sua história na íntegra, lhe dava pequenos fragmentos de sua vida e morte. Victor sabia que ela fora uma princesa celta, também guerreira e que Amaethon era seu criador. Um vampiro dois mil anos mais velho que ela. Ele a ensinou tudo e, recentemente havia contado tudo sobre a origem dos vampiros. Victor a implorou que lhe revelasse, mas Aislin não o fez. Somente o que assumia o controle sabia, e ela estava na liderança no momento.
Victor sabia também das regras. Era bem fácil ser vampiro na verdade. A única regra que, quebrada, trazia a morte, era a de guardar o Segredo.
- Nosso Segredo é tudo o que temos, meu amor... – disse-lhe ela. Sem a inflexão na voz, sendo apenas a vampira, não a Líder.
Outra regra era a da Infância. Assegurar-se de seu filho nascido até que ele complete a maior idade de cinqüenta anos. E o filho de sangue até os cinco anos de morto. Passar-lhe tudo o que sabe e ensiná-lo como se portar frente à sociedade humana. Essas, junto com a do Segredo, eram as únicas regras válidas no mundo vampiro. Outros problemas eram contornáveis, como traição e roubo. Mas, eles não se importavam muito com isso.
Ele mexia as pernas, estalava os dedos e olhava acima do mar de cabeças a sua frente. Não a sentia, por mais que procurasse sua presença. Quando duas mãos taparam seus olhos, teve um sobressalto, mas logo o cheiro de âmbar dançou pelas suas narinas e ele a reconheceu. Puxou-a pela mão fria e a tomou em seus braços.
- Achei que me havia abandonado... – sussurrou ao pé de seu ouvido.
- Pensei em fazê-lo... – pela voz via-se que ela sorria, jocosa. – Tem um belo humano do outro lado do salão.
- Não se atreveria! – a dor em sua voz a fez gargalhar baixo, docemente.
- Não... Não me atreveria.
Afastou o rosto do dele e o encarou com os belos olhos verdes, brilhantes. A forma de seus olhos era sensual, feminina ao estremo. As pupilas dilatadas mostravam à ele que ela tinha fome, mas sua calma o confundia. Seu nariz afilado combinava com a boca pequena e os lábios finos. Sorria para ele, mostrando os caninos tão pontudos e os dentes de baixo um pouco tortos, mas sem tirar a beleza do conjunto. Com certeza fora uma belíssima humana, que com o brilho da imortalidade se tornou simplesmente fascinante. Victor imaginava quantas batalhas não haviam sido travadas por ela, que fora morta com apenas vinte anos de idade. Aislin já havia feito um vaga alusão à um noivo e um amante em sua vida humana, mas nunca se aprofundou. Não gostava de falar de si, mas sim de suas aventuras pelo mundo. Coisas que havia visto, movimentos como o Iluminismo e a Revolução Francesa, que presenciou com tanta paixão como se, se tratasse de sua própria espécie.
Ela passou os braços pela cintura dele e chamou seus pensamentos de volta ao presente.
- No que pensa? – perguntou, já sabendo a resposta.
- Em você, como sempre... – e a beijou. Um beijo faminto pelo amor que ela lhe oferecia.
- Porque não vamos para casa? – perguntou, e em um minuto já estavam lá. No belo casarão de Aislin. Enorme, cheio de tecnologias. Menos no sótão, onde ficavam seus aposentos.
Quando pousaram no chão do quarto ele já abria o jeans dela, cuidadoso. Os beijos não haviam parado durante o vôo. Era fascinante flutuar com Aislin que, muito mais velha, fazia muito mais coisas do que simplesmente correr. Aislin podia ler pensamentos, voar e prever movimentos. Sem contar outras habilidades que Victor não tinha conhecimento, e ela achava melhor assim.
Nua, ele a deitou na cama grande de dossel, a madeira escura e os lençóis brancos de cetim puro contrastavam, e a pele dela se confundia com o pano pela alvura. Os cabelos castanhos brilhavam e a maquiagem já havia se destilado. Victor agora via a vampira descoberta. Seu rosto cintilava suavemente como se a pele trouxesse incrustados pequenos fragmentos de diamante. Os olhos tão vítreos e penetrantes, que deixariam qualquer humano tonto. A perfeição de sua cútis, o jeito adorável de seus seios e o ventre chato conduzindo o olhar até o sexo.
O mais novo sorriu, sorriu enquanto admirava aquela obra de arte viva. Se ela ficasse completamente parada poderiam tomá-la por uma estátua com luzes. Como as do Louvre. Beijou-lhe a boca rosada, enquanto ela tocava a pele ainda macia dele. Com apenas dois anos de nascido, Victor ainda trazia a pele de um humano, nova. Diferente da dela, dura como uma rocha. Gostava do contado entre as duas superfícies distintas.
Encostou os lábios nos ombros fortes dele, enquanto, sem mais delongas, ele a tomava sua mais uma vez. E quando ela abriu a boca, os olhos já inteiramente negros, e quando a mordida veio, ela tomou do sangue dele mais uma vez...

- Agente Johnson! A quantas anda o tal caso das “mordidas”? – perguntou o superintendente Oliver Melt.
Pirce Johnson ergueu os olhos das dezenas de pastas que analisava com desespero. Procurava uma linha de tempo, como e quando, por que. Procurava padrões, métodos e conclusões. Achava algumas coisas, mas não entendia o porquê do fim! Um belo dia vários cadáveres, no outro nem um só sinal de que aquilo havia acontecido. Não havia mais assassinatos, e sem corpos não havia casos, pistas à seguir, nada!
Os cabelos louros desgrenhados e as olheiras mostravam que há tempos ele não tinha uma boa noite de sono.
- Er... Superintendente Melt! Estamos trabalhando nisso... Eu estou! É que parece que o maníaco deu um tempo. Não há mais denúncias...
- Sim, Johnson. Ou ele está simplesmente ficando mais cuidadoso. – sugeriu com a voz rouca pelo cigarro. O superintendente Melt era um homem de meia idade, durão. A barriga saliente mostrava que ele havia abandonado o serviço de campo, para se enfurnar no escritório dando ordens e comitivas à imprensa.
- Tenho certeza de que não há como ele saber das investigações, superintendente.
Oliver Melt encarou o rapaz de cima à baixo. Novo, por volta dos 27 anos, o agente Pirce Johnson sempre fora um destaque. Nunca cedia às investidas da corrupção. Pelo contrário, sempre fora muito dedicado ao seu trabalho e isso o estava matando. Agora a tal obsessão com o maníaco das mordidas. Pilhas de corpos drenados e com furos no pescoço.
Johnson havia até mesmo mencionado a possibilidade de seres sobrenaturais!
- Tenha certeza de que não haverá vazamentos, Johnson. Mas mesmo assim, não se empolgue muito com isso, logo virão ordens de cima para que eu lhe dê algo concreto em que trabalhar, e não essa baboseira de mordidas.
Dizendo isso, Oliver Melt se virou e entrou em sua sala.
- Droga! – reclamou Pirce, enquanto descia o punho fechado na pobre mesa de aglomerado. Tinha raiva porque há um ano trabalhava nesse caso, e até agora nada! Onde, diabos, ele iria achar esse monstro?
Lembrava-se das histórias que seu pai lhe contava antes de morrer... Vampiros...
- Não viaja, Johnson! – ordenou para si mesmo enquanto se jogava novamente em meio aos papéis, meio louco, procurava algo de humano naquilo, e não vampiros. Não existem coisas como vampiros... Não...

2 comentários:

  1. nossa! bravo!
    adorei esse capitulo ^^
    você descreve muito bem as cenas, dá pra imaginar tudo que está escrito, a leitura fica envolvente, parabens!
    estarei esperando pela proxima historia da Aislin

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  2. Sabe de uma coisa? Eu conheço um alguém que AMA supernatural...E pelas coisas que gosta, essa pessoa iria amar seu blog! Verei sei posso indicá-la!!! =D

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