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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Diário de Arthure Colt [1-2/6]



LAYLA

Na época em que queimavam bruxas, pensadores e qualquer um tolo que se opusesse à tão certa e santa Igreja, eu conheci à ela. Layla Doytsvack. Em Londres. Descendente de irlandeses era uma das mulheres mais lindas que já havia visto. E seu cheiro... Ah! Seu cheiro! Quase enlouqueci quando ela passou por mim nas ruas sujas da cidade. Belíssima. A segui e descobri logo que morava em um dos bairros mais afastados da cidade e que sua casa, uma mini-fazenda caindo aos pedaços, era a última do lugar. Quase na floresta. Quando a vi entrando em casa, parei, longe, apenas observando.

- Vivem apenas ela e a mãe. – disse uma voz atrás de mim.

- Aham. Notei. – respondi, calmo.

- Sou Alexander Holt. – disse o camponês, apertando minha mão. – Por que veio até aqui se só vai ficar olhando? – perguntou, direto.

- Vim para isso...

- Acho que também faria isso se tivesse seu porte. Sabe? Deve ser um nobre né! – afirmou, olhando minhas roupas finas.

- Sim, sou um duque. – menti.

- Ah ta aí! Proponha à ela. Soube que vem esperando um marido há tempos... Mas sempre rejeita os camponeses. Talvez um duque...

Sorri para ele.

- Mas tome cuidado... – começou, fazendo um leve suspense.

- Com o que? – perguntei.

- Dizem que elas são bruxas.

Achei aquilo muito engraçado mas não ri.

- Tenho que ir agora senhor...

- Colt. Arthure Colt.

- Até! – e saiu, com um gesto bem brusco me deixando a sós com meus pensamentos. Bruxas hã? Seus cabelos vermelhos e cacheados poderiam ser um sinal disso. Não eram essas as lendas? Bruxas identificadas por seus cabelos vermelhos e seis dedos nas mãos. Sorri. Mas quem era eu para duvidar delas? Não era eu mesmo um vampiro?

- Ai ai... – sussurrei, enfiando as mãos nos bolsos e me virando. Estava meio fraco. Até que aquele Alexander tinha um bom cheiro...

Dois dias depois a vi mais uma vez, desta vez adotava uma postura totalmente suspeita enquanto carregava um pacote que se mexia. A segui novamente e observei da janela que era um bebê. Ela havia desembrulhado o pequeno e a mãe se aproximava. Mulher já madura, mas ainda bonita. Em muitos traços lembrava a filha, jovem e viçosa.

- Ele está doente mamãe. O pai o jogou no lixo! Aquele maldito asshole! – xingou-o na voz mais suave que meus ouvidos já tinham presenciado.

- Shiu! Acalme-se Layla. Vamos cuidar dele.

E a mais velha saiu. Layla permaneceu observando aquela criatura frágil, que já não tinha forças nem para chorar. O bebê se mexia periodicamente, mas pelo seu cheiro eu já notava que a morte se aproximava dele.

- Aqui. – disse a mãe, trazendo uma tina cheia de água. – Vamos logo garota!

Layla correu até a sala e pegou, de dentro de uma caixa vermelha um punhal, envolto em veludo negro. O punhal era prateado e tinha umas inscrições antigas. Para meu susto, Layla cortou o pulso verticalmente e deixou que algumas gotas de seu sangue atingissem a água. Depois deu o punhal para a mãe, que fez o mesmo, enquanto a filha estancava o ferimento com o veludo, passando-o para mãe depois.

Ao olhar para seu braço cortado, notei que não havia mais nenhum machucado ou marca. O pano continha alguma magia, com certeza.

- Pegue o menino, ordenou a mãe. E Layla obedeceu, mergulhando-o na água, enquanto a mãe falava algumas coisas, acho que em latim. Passaram-se alguns segundos, e quando o bebê emergiu, estava vivo e saudável, mas chorava de fome. Layla abriu o vestido e deixou o peito alvo à mostra. A mãe apertou o seio esquerdo da filha e pronunciou duas palavras, o leite saiu e Layla começou a alimentar o bebê dali.

Eu estava extasiado! Havia presenciado um ritual de bruxaria assim, ao vivo! E era tão maravilhoso. O jeito como ela havia salvado a vida daquela criança! Bem, depois de me refazer da emoção, voltei para cidade, um amigo me esperava.

- Cétrico! – abri os braços. – Saudações, amigo.

- Como vai Arthure? – perguntou-me o vampiro moreno. Egípcio.

- Bem, bem. Algo de novo?

- Sim. Vão dar uma festa. Em Paris, devo logo dizer. Sabe que Amaethon se estabeleceu lá né?

- Ouvi falar... – murmurei.

- Vamos? O Líder vai estar presente, acho que deveria vê-lo.

Cétrico era meu irmão de sangue, ambos criados por Gordome, a vidente, e era um bocado mais velho do que eu, algo de cem anos. O que o fazia mais sábio, e se ele dizia que eu deveria ver o Líder, eu obedeceria. A bruxa ficaria para depois...

- Vou. – respondi.

Estávamos no salão, mais de duzentos vampiros, de várias etnias, estavam reunidos nos trajes da moda parisiense da época. Eu usava um conjunto preto, a cor que sempre gostei, já Cétrico usava algo meio mostarda. Ele adorava chamar atenção.

- Olhe, Art. – chamou-me ele, ao pé do ouvido. – Vê aquele ali? – apontou para um vampiro alto, esguio, os cabelos castanhos curtos, grego. Usava uma casaca cor de vinho tinto.

- Sim.

- É o vampiro dos meus sonhos! Arquimedes, é o nome dele!

Balancei a cabeça. Como Cétrico é passional! Enquanto conversávamos e comentávamos sobre os outros, senti uma presença estranha. Uma força que me puxava para baixo, me tonteava. Vacilei e Cétrico me segurou.

- Controle-se, sussurrou para mim.

Mas, eu podia ver que todos estavam afetados pela força daquela corrente. A música soava, e um véu negro cobriu o ambiente, minha visão ficou turva e logo me apoiei em meu irmão. Quando tudo desvaneceu, lá estavam eles. Uma mulher em um lindo vestido vermelho, os cabelos castanho-avermelhados caiam meio enrolados pelos ombros e os olhos de jade brilhavam muito. Estava de braços dados a um vampiro alto, esguio, como o tal Arquimedes, mas tinha os cabelos loiros muito compridos, até os cotovelos. Estavam meio presos, deixando à mostra o rosto sobrenatural, olhos azuis, oblíquos, ele observava a todos atentamente. Depois, olhou para a vampira ao seu lado e sorriu. Tomou-a pela cintura e começaram a rodopiar. Acho que isso significava que a festa havia começado, já que todos os outros vampiros fizeram o mesmo. Meu irmão me empurrou para uma vampira negra de belos olhos castanhos e dançamos como mandava o figurino, mas meus olhos não se afastavam dela.

- Quem é? – perguntei à Cétrico quando rodopiamos perto um do outro.

- Aislin. – respondeu em um sussurro.

- Falavam de mim?

E lá estava ela, sem perucas ou nada que escondesse sua beleza natural. Tremi. Podia sentir seu poder antigo, meu sangue novo borbulhava pelo dela. Uma música suave sobreveio-nos e ela puxou-me, tomando-me da outra vampira. Me deixei levar. Sentia o cheiro forte dela, a pele perfeita roçando no veludo de minha casaca. Os olhos fixos em mim. Ela largou os passos da dança e passou os braços pelo meu pescoço, o nariz afilado passando pelo meu volta do meu queixo, aspirando meu sangue pelos poros.

- Céus, como você cheira bem... – sussurrou a voz macia, sobrenatural. Derreti-me no abraço de Aislin, mas sentia que algo estava errado. Quando saí do sonho ao qual ela havia me arrastado notei que todos no salão nos encaravam, inclusive Amaethon. Fiquei com medo, mas ela disse:

- Não tema, você é meu agora. - beijou meu pescoço e saiu, deixando-me confuso, mas feliz. Cétrico correu para mim e disse.

- Venha, temos que sair agora!

Não entendi a pressa em sua voz, nem a agitação em seus gestos, apenas o segui, ainda com o fitar nela. Aislin.

- Oh meu Deus! – gritou Cétrico quando estávamos longe o bastante. – Oh meu Deus!

- O que foi?

- O que diabos foi aquilo? Como você deixou que ele respirasse você daquele jeito? – perguntou-me, beirando o desespero.

- O que você queria que eu fizesse? Ela me entorpeceu! – argumentei.

- Claro, claro... Ela é Aislin não é?... Bem, nesse rendez-vous de vocês dois Amaethon anunciou que vai se deixar ao sono, e Aislin vai tomar o comando até que ele decida voltar, se decidir.

- Isso significa que...

- Nada de relacionamentos com a Líder, mano.

- Mas ela...

- Ela o que?

- Ela disse que sou dela, pertenço à ela!

- Claro! Quem não? Ela quase morreu há alguns anos quando ajudou Arquimedes a escapar da morte! Ele se jogou no fogo por ela!

- Minha nossa!

- E Igor Goebbels? Que mata por aquela vampira? Amaethon mesmo tem uma coleira no pescoço escrito o nome dela, por mais sutil que seja! A vampira é a mais cobiçada e não é porque ela é a Líder! Mas ela nunca, ouça bem irmão, NUNCA, permaneceu muito tempo com ninguém. É a Ascendente. Só pode se entregar totalmente àquele quem ela fará o próximo Líder, e peça aos Anjos que não seja você!

- Por quê? Porque não eu?

- Porque isso significaria estar sob o comando dela o tempo todo, sem mais escapadas ou caçadasdo jeito que você gosta. E Aislin não é misericordiosa. Na verdade ela não conhece essa palavra. Está fora do dicionário dela. Voltemos para Inglaterra e vamos deixar os Anciões cuidarem do assunto. Todos com menos de 700 anos foram liberados, o que indica, nós.

E foi então que voltamos para Londres, andando, conversando sobre a festa, a qual perdi pois estava cercado pelos braços de Aislin, e Cétrico me contou sobre como conhecera Arquimedes, como ele era apaixonado por Ela e etc.

- Vamos descansar? – perguntou-me.

- Não, mano. – retruquei – Tenho algo a lhe mostrar antes.

Ele assentiu e corremos até a fazenda, nos arredores da cidade.

- O que sente? – perguntei e ele aspirou o ar, sorrindo em seguida.

- Ah! Sangue mágico! Bruxas!

- Então elas existem...

- Claro! Tome do sangue delas e tenha certeza de que ficará ainda mais poderoso. E o melhor... Elas adoram se oferecer a nós. Mas são raras! Muito raras!

- Não quero matá-la.

- São duas, mano.

- Mas a Layla, não quero matá-la.

- Ora essa, pode beber de seu sangue sem matá-la. Esqueço o quão novo você é... É só se controlar. Venha, vamos fazer uma visita.

- Mas, Cétrico! São três da manhã!

- Bruxas não dormem.

Andamos até a porta, o vento frio em nosso rosto. Cétrico bateu com violência na porta e depois de alguns momentos a mãe a abriu.

- Mas que diabos...

Sua raiva durou apenas até que a luz da lamparina atingisse nossos rostos.

- Oh! Oh minha deusa! São... São...

- Sim, sussurrou Cétrico.

- Entrem, entrem! Não estávamos preparadas.

- Não é preciso preparo. – disse meu irmão.

- Layla, Layla – gritava a mulher pra dentro da casa. – Corra, venha logo garota!

E logo apareceu ela, os lindos olhos azuis brilhando pra mim, apenas um robe sobre o corpo que eu sabia nu.

- Queremos seu sangue, mas meu irmão aqui não quer que matemos vocês. – disse Cétrico, rindo sadicamente.

A mais velha tirou seu próprio robe, mostrando o corpo ainda jovem que carregava, não poderia ter mais de 35 anos.

- Pegue o quando quiser. - disse, provocante.

Cétrico andou até ela, olho negros e grandes presas saindo pela boca. Ele sorria quando mordeu o seio esquerdo da mulher. Ela se derreteu em seu abraço e eu olhei para Layla. Ela estava assustada, surgi ao seu lado, deixando-a sobressaltada.

- Se acalme. – sussurrei em seus ouvidos. Tomei sua mão e a levei ao quarto, encostei a porta e beijei de leve seus lábios rosados. Ela me agarrou, de um jeito meio nervoso.

- Beba, beba do meu sangue. – murmurou, aterrorizada.

- Não sou um monstro, Layla. – disse à ela. Que me encarou subitamente.

- Quero fazer amor com você.

Puxei o cordão do robe de passei os dedos pelos seios duros e cheios, me ajoelhei aos seus pés e chupei seus mamilos como se fossem uma fruta suculenta, ela gemeu, e eu me abaixei mais, brincando com minha língua em seu sexo. Ela se apoiava no dossel da cama e arquejava.

Levantei-me, e ela me abraçou, beijando-me. Notei que dessa vez seu abraço era de puro desejo e tesão e não de dever, obrigação. A deitei lentamente na cama, soltei os cabelos tão cacheados, que faziam cosquinhas na ponta afilada de meu nariz. Descobri, explorei, cada parte daquele corpo esguio e quando a penetrei com cuidado, ela gemeu tão alto que achei que a havia machucado, mas não, via em seu rosto o prazer e a dor juntos. Era sua primeira vez, e no meio daquela cuidadosa relação, mordi seu seio, levando-a ao ápice inúmeras vezes. E quando a deixei, dormia sorrindo. Cobri seu corpo com o lençol e saí, para encontrar Cétrico e a bruxa mais velha, que se apresentou como Ilda, conversando abertamente.

- Onde está o bebe? – perguntei.

- Você viu aquilo? Claro, claro... Demos à uma família. A mulher era estéril. – respondeu.

- Bem, está satisfeito, Cétrico?

- Sim, mano. Estamos indo Ilda. Foi um prazer...

- O prazer foi meu. Voltem quando quiserem.

- Sim, sim. Aliás, acho que meu amigo deixou sua filha um tanto fraca no quarto, dê algo para que melhore.

- Sim sim, não há riscos. – respondeu ela, com um gesto enfadonho.

E assim fomos nós.

Quando me amei de verdade (Charles Chaplin)


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-Estima.
"Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passava de um sinal de que estou contra as minhas verdades. Hoje eu sei que isso é... Autenticidade.
"Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e começei a ver que tudo que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento."




Uma pequena amostra do gênio que foi Charlie, não apenas no cinema.