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segunda-feira, 9 de março de 2009

Arthure Colt [Parte Um]



Em anexo a história que me pediu, e sim, eu acredito nela.






[Quando acordei naquele dia não tive a mínima noção de como as próximas vinte e quatro horas seriam loucas. Pensei mil vezes antes de te mandar esse e-mail por que eu tenho certeza de que quando você lê-lo, vai rir e chamar seus amigos para lerem esse conto extraordinário. Mas, eu devo te dizer: nunca mostre isso a ninguém.
Existe apenas um motivo para que eu te conte isso. E o motivo é: não perder totalmente minha sanidade. Se eu manter esse segredo comigo apenas, é capaz de que um dia eu acorde e me tenha por louca. Porque você? Aposto que essa pergunta passou pela sua cabeça. Mas, eu te conto... Você é o único ser que eu conheço que poderia acreditar em mim, de alguma forma.
Acho que agora eu poderia começar...


“Segunda-feira. Um dia odioso, devo dizer. Saí da cama meio amarrotada e me arrastei para o banheiro, onde tomei um banho, gelado, para acordar. Já mais desperta, abri a porta do armário de roupas e escolhi umas peças alheias. Vesti-me e desci para o café. Um dia comum, como todos os outros. Só por uma coisa que eu não notei a princípio: o tempo estava fechado. No meio do verão carioca é muito comum vermos chuva e sol, mas dificilmente uma escuridão mórbida como aquela. Acho que eu deveria ter notado, a partir daquele primeiro presságio, que o dia não seria bem o que eu imaginava.
Depois de meio copo de suco e um sanduíche de queijo e presunto, eu liguei meu mp4 em uma música animada e me pus em rumo à faculdade. Acho que você já sabe o que deveria saber sobre mim, então não vou ficar dando detalhes, vou apenas contar as coisas estranhas e bizarras, devo ressaltar, que me aconteceram naquele dia. Logo pela manhã os episódios já começaram.

“Caminhava pela calçada quando me senti observada. Quando olhei para as sombras de um carvalho, vi um homem ali, parado. Ele me observava tão abertamente que me senti subitamente ameaçada. Procurei atravessar a rua, mas desisti no último momento, não me lembro exatamente por que. Continuei no mesmo caminho, assim como o estranho permanecia a me encarar. Notei seus olhos misteriosos vagando sobre mim. O rosto pálido protegida por um chapéu arcaico. Quando comecei a repará-lo é que notei a capa longa que trazia. Muita proteção para um calor daqueles. Por mais que o sol estivesse inteiramente coberto, ainda permanecia a temperatura abafada, que você conhece muito bem. Achei aquilo estranho, mas como a pessoa em si já era no mínimo, duvidosa, não me liguei muito nesse detalhe.
Passei por ele, e só então notei a beleza de suas feições. Recordo-me nitidamente desse exato momento, quando nossos olhos se encontraram no mesmo nível, mesmo ele sendo um tanto mais alto do que eu. Os topázios azuis, brilhantes, que me encaravam, frios. Tinha as sobrancelhas claras e grossas, bem desenhas. Um rosto másculo... E eu não pude deixar de arquejar ao ver seus lábios meio finos, tão vermelhos... Um contraste gritante contra a pele tão alva. Não parei de andar e me proibi de olhar para trás. Entrei na faculdade quase correndo e quando sentei na carteira me senti atraída para janela. Andei até ela e olhei para baixo. Incrivelmente lá estava ele, com a cabeça levantada fitando a mesma janela que eu jazia. Não sei dizer com certeza, mas acho que ele sorriu para mim... Acho que nunca saberei.

“Eram três horas da tarde quando deixei o campus, não pude deixar de procurar por ele, mesmo me sabendo em grande encrenca. Afinal, poderia ser um estuprador, assassino ou ladrão! Andei rápido para casa e quando já entrava em minha rua - aquela na qual costumávamos a brincar há uma década atrás -, fui abordada tão subitamente que me assustei.
- Carol! – gritou ele.
Sobressaltei-me e arregalei os olhos esperando o pior.
- Ah!
- O que houve? – perguntou, preocupado com meu susto.
- Nada, Eduardo... É que... Nada, deixe pra lá.
- Tudo bem... – concordou, meio desconfiado.
- Como está?
- Bem, bem. – respondi atarantada, enquanto secava o suor da testa com as costas da mão. Maldito verão! Ah! Como eu odeio suar!
- Não me parece muito bem... Caroline, você está pálida. Viu um fantasma?
- Ahn? Não... É... Eduardo eu tenho que ir. Tchau.
Virei-me e ainda ouvi-o me chamar algumas vezes, mas entrei em casa sem olhar pra trás. Mamãe ainda não tinha chegado e eu me vi sozinha. Respirei fundo e caminhei até a escada, galguei-a até meu quarto e ao entrar na escuridão refrescante, meu coração quase parou quando vi o vulto alto, com o familiar chapéu e a capa escura. Ao se virar para mim, senti um grito de histeria subir pela minha espinha quando fitei seus olhos brilhantes. Um efeito meio felino. O sorriso aumentou ainda mais o meu pavor, vendo aquele ser belíssimo me olhando daquele jeito.
- Feche a porta. – ordenou a voz surpreendentemente profunda.
Obedeci, horrorizada com seu timbre sobrenatural. Enquanto seguia sua ordem, notei que ele tirava o casaco e o chapéu, revelando os cabelos desgrenhados, castanhos claros, quase loiros. Usava uma blusa branca de mangas compridas, a frente meio aberta revelando parcialmente o peito forte.
- O que acha de uma brincadeirinha, Caroline?
Eu tremia de medo, temia que ele me estuprasse, ou pior, me matasse lentamente. Ele tinha um daqueles sorrisos doentios... Pensava em meu triste futuro quando me ocorreu: como diabos ele sabia meu nome? Mas antes que eu pudesse formular a pergunta, ele já me tocava. Moveu-se com tamanha rapidez que eu nem o vi fazê-lo. Pisquei e ele já estava quase em cima de mim.
Acariciou meu rosto com os dedos, e antes que eu pudesse me afastar, aterrorizada, seus lábios tocaram os meus. Não posso lhe explicar o efeito que isso causou em mim, apenas que eu sentia uma vontade louca de retribuir. Era mais forte do que eu aquele desejo invencível de pertencer a ele. Passei meus braços pelo seu pescoço enquanto entregava cada parte de mim naquele beijo. Ele me levantou e eu passei minhas pernas pela sua cintura, abraçando-o.
Acho que não preciso lhe descrever os detalhes, certo? Já que eu mesma não me lembro muito bem... Era tudo muito turvo e surreal. Só acho que deveria saber que, enquanto me beijava senti uma pequena ardência nos lábios, nada incomodo, e depois veio a dormência e quando acordei, estava sozinha em minha cama. Mas, ainda podia sentir o toque frio de seu corpo, como marcas, no meu.”
Continua...

2 comentários:

  1. nossa que história incrivel...
    que mistério...
    estou ancioso pelo desfecho...

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  2. HuaIHAUsidAs to comentando aki antes
    de vc terminar de arrumar o quarto
    pq eu meio q senti um tom de ameaça no
    "vou arrumar o quarto" to digitando rápido
    to com medo fica brava nãooooooo





    Adorei o inicio da história... já teve (supostamente) uma cena caliente *_*



    Bjuuuuu

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