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quarta-feira, 11 de março de 2009

Arthure Colt [Parte Final]


Acho que até aí nada extraordinário não, irmão? Tenho certeza de que me entreguei á ele de espontânea vontade. Senti-me tão apaixonada quando me beijou, que nem pensei que ele era um completo estranho a mim.
Bem, voltemos aos fatos.


“Sentia-me fraca e solitária. O sol, ainda batia forte contra minha cortina que permanecera fechada. Mas, reparei, a porta do quarto estava aberta e entrava uma corrente de ar por ali, me fazendo reconhecer minha nudez pela primeira vez. Ouvi ruídos no andar de baixo, mas não poderia ser minha mãe... Desci enrolada no lençol, temerosa.
- Quem está aí? – perguntei, a voz num sussurro. Senti que minhas pernas iam falhar e quando me inclinava involuntariamente para os degraus de onde rolaria, mãos frias e firmes me apararam.
- Cuidado. – disse aquela voz profunda, dolorosamente grave, como se penetrasse o fundo de minha mente.
- Me solte... – protestei, mas ele sorria para mim, e como era belo! Sentia vontade de chorar ao ver seu rosto divino, angelical. Apertou os olhos azuis para mim e tocou levemente meus lábios com os seus. – Por favor... – implorei, virando o rosto, tentando abafar minha enorme vontade de tê-lo de novo.
Mas, ao em vês de me soltar, ele me tomou nos braços e me carregou para a cama novamente.
- Não deve fazer esforços agora. – disse, preponderante.
- Porque estou assim? – sussurrei. – Tão fraca...
- Porque você é doce... Só por isso. – e sorriu. Mais um daqueles sorrisos carinhosos, nos olhos um brilho estranho. Percebi que ele estava mais corado agora. Toquei seu rosto. Ele fechou os olhos, apreciando meu toque, encostando mais a face em minha palma, como um gato manhoso. Sorri.”


Porque meu irmão, eu estava tão loucamente apaixonada por aquela criatura que não me importava quem era, ou que fizera comigo. Ignorava seu nome, seus motivos, sua pessoa. A verdade é que sua aura me dominava e eu adorava a sensação protetora que tinha perto dele. E o jeito que ele se deleitava ao meu toque... Deus! Agora, longe de sua presença perturbadora, me pergunto o que diabos houve! Mas não acho resposta. Às vezes penso que foi um sonho, mas ainda posso sentir seu perfume em minha pele e o gosto de seus lábios nos meus.


“– Qual seu nome? – perguntei, melhorando do mal estar. Ele tocou meus cabelos vermelhos, meio rebeldes e mordeu o lábio, acho que vi um relampejar de dor em seus olhos tão belos.
- Colt. – sussurrou. – Arthure Colt.
- Arthur... Arthure? – repeti, insegura. – Não é um nome comum.
- Não... – concordou ele.
- Mas você não é comum mesmo né! – ri-me. – Me toma assim, sem nem ao menos me conhecer... E sabe-se lá como, me leva pra cama e me deixa assim rendida sob seu olhar...
Seu sorriso se alargou.
- Eu te conheço Caroline Rosa Santos. Sei a cor de seus olhos verdes, sei que pinta o cabelo loiro dessa cor flamejante. Sei que tem uma gargalhada gostosa...
- Como sabe meu nome, Arthure?
- Ah, meu amor... Sei de tantas coisas... Sei que você é minha... E você também sabe.
- Está me soando um tanto doentio essa declaração. – disse, me afastando.
- Não me negue. Você é minha. É você quem eu procurava. Vi em seus olhos, confirmei em seu sangue.
- Meu... Meu sangue? – exclamei, definitivamente assustada.
E quando me olhou já não tinha os olhos azuis, mas sim totalmente negros. Os caninos de mais de três centímetros saltavam de sua boca. Soltei um gritinho apavorado, mas ele já havia voltado ao que eu supunha ser seu normal e estava tão próximo de mim. Foi tão rápida sua aproximação que eu não vi movimentos, apenas me encolhi contra a parede, segurando com força o lençol, como uma proteção.
- Não tenha medo de mim, meu anjo... – sussurrou no meu rosto, o hálito inebriante. Fechei os olhos e mordi os lábios. Não temia mais... – Sou apenas um homem ao seu lado. – continuou, acariciando meu rosto com os dedos finos.
- Não, não é. – disse, mas de um jeito meu sufocado, por que ele me apertava contra a parede. O peito largo como um muro impedindo meus movimentos. Deliciosamente aprisionada, era como eu me sentia.
- Não, não sou. – concordou, com uma risadinha. – Sou um pouco pior.
E como se nunca tivesse estado ali, ele desapareceu sob meus olhos. Se ainda não sentisse a frieza de sua pela cravada na minha, ou se seu cheiro ainda não estivesse rodeando meu quarto, eu poderia ter jurado que ele não existira.

Quando me recompus desse sonho tão real, desci e minha mãe acabava de chegar. O céu escuro mostrava que a noite já caíra por completo sobre a cidade.
- Olá querida. – disse, sorridente.
- Oi, mãe. – sussurrei. Os olhos meio desfocados ainda.
- Veja bem, vou sair com Alex hoje, está bem?
- Ok...
- Vou tomar um banho.
E subiu apressada. Aproveitei e liguei o rádio, pus um cd que gostava e me deitei no sofá, fechei os olhos e me deixei absorver pela música. Por algum tempo me deixei alienar de todo o universo. Não pensei em Arthure, a quem eu pensava meu amigo imaginário, nem em nada concreto ou não. Deixei apenas a mente vagar pelas notas a esmo do piano.
- Estou indo, Carol. – disse minha mãe, me despertando de meu transe.
- Ok. Cuide-se e divirta-se.
- Tchau. – e bateu a porta.
Voltei novamente o rosto para a sala notei uma rajada de vento frio. A janela estava aberta antes?, me perguntei. Aumentei o rádio e fui arrumar algo para comer. Depois de cerca de duas horas de TV, me vi cansada demais e fui dormir.”

Arthure Colt. Há dois dias isso aconteceu, e a janela no meu quarto dorme fechada, como você bem sabe, mas quando acordo, está aberta. Estou encerrando esse e-mail e me pergunto se acreditou em mim. Sim, ele era um vampiro. Provou de meu sangue. Amou-me. E eu o amei por minutos, breves demais.
Às vezes passo instantes a fio na janela, observando as ruas. Talvez quem saiba ele não está abaixo, sorrindo para mim...]




Alguns dias depois recebi outra mensagem de Caroline, mas não era dela, veja bem.

“Talvez pensem que ela desapareceu, nunca encontrarão seu corpo. Não está morta, mas vive eternamente no berço de meus braços.

Arthure Colt.”


Há três anos não tenho notícias de Caroline, mamãe ainda a procura, mas eu sei que ela nunca voltará.



Um abraço, Filipe Rosa Santos.

Um comentário:

  1. nossa... sem palavras... varios elementos otimos, o romance, a profundidade dos personagens, o desenrolar da historia...
    incrivel...

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