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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ilha



Ilha


Eu me esqueci de te contar sobre o meu último sonho.
Você bem sabe que eu sempre sonho, todas as noites e dias, dormindo ou acordado. Mas, esse me marcou de um modo peculiar e agora, quando me preparo para contá-lo, por em palavras escritas tudo o que apenas tinha se dado em minha cabeça, sob meus olhos fechados, eu noto que essas cenas foram mais do que apenas um joguete do subconsciente. Era uma verdade.
Nesse sonho, você era uma ilha. Uma ilha que eu pretendia descobrir, e o tinha. E eu precisava te dizer várias coisas que faziam todo o sentido para mim, mas que, de certa forma eu sabia que não fariam nenhum sentido para você.
Precisava imensamente te dizer:
- Eu sinto tanto a sua falta. E estou caindo...
Eu deveria ter deixado você saber.
E no sonho eu entrava em você, nessa ilha que eras, e começava a vasculhar um lugar vulnerável, aconchegante, onde pudesse me guardar e te descobrir de um jeito mais singelo, doce, delicado.
Você me disse várias vezes o quanto você era errada e desconexa. Mas eu também sempre retruquei, não ligo.
E eu estava cansado e ofegante, mas não podia dormir. E dava o máximo de mim, mas não te alcançava. Eu tinha o que queria, mas não o que precisava. E eu precisava de você. Tentava consolar suas lágimas sobre algo que você perdeu e não pode substituir. E eu não era essa coisa.
Eu queria tanto te desvendar, descobrir seus segredos e guardá-los comigo. Te consertar. Te ajudar a cescer e a ser alguém mais do que você nunca sonhou. Mas você estava tão apaixonada por sua solidão que não conseguia deixá-la ir.
Creio que você me pergunta agora o porquê. E eu te respondo que quando a gente ama, não precisamos, exatamente, de um motivo... E afinal de contas, o seu sorriso é motivo o suficiente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lágrimas de uma Alma Solitária.




Lágrimas de uma alma solitária.





Ela conta sua própria estória, e nesta, em poucas linhas retratadas, relata como e quando apenas, esta alma, solitária e ofegante, encontrou plenitude tal, que não seria possível descrevê-la com palavras.



Tudo começou um sentimento, é verdade. Sentimento que se tornou uma esperança. E logo após um pensamento, que depois disso se tornou uma palavra quieta, um mundo calado. Agora, é um grito de guerra.

Poderia contar uma coisa mais interessante pra você acho. Afinal eu duvido que se interessaria pela estória de uma alma, uma alma qualquer, como eu. Mas eu, como toda alma, tinha um corpo, e esse corpo me fazia sentir e chorar e doer e me encolher. Então quando esse corpo não pensava muito bem em mim, eu sofria, e ele sofria comigo, chorava comigo, mas quem perdia parte se si era eu. Eu era aquele que no vim das contas ficava imperfeita, vazia, sozinha. Meu corpo se entorpecia, e eu passava a chorar sozinha e minhas lágrimas eram como ácido que abriam buracos em mim mesma e eu não sabia o que era tranqüilidade, compania.

Mas o que eu poderia fazer? O fato era que eu não me pertencia, no fim do dia, a escolha não era minha. Era de meu corpo, e de seu espírito aventureiro. Ele esquecia de mim, e eu me forçava ao mesmo, mas como se esquecer de si mesmo se está confinado á um espaço pequeno, trancado com nada mais do que si, e si. Não havia nada mais em que pensar ou ninguém mais com quem conversar. Não havia nenhum corpo perto o suficiente para que eu pudesse lhe chamar a alma. E meu corpo era tão egoísta, egocêntrico. Eu poderia usar muitas palavras, mas no fim todas significam a mesma coisa.

Mas um dia, depois de anos de abuso de meu corpo sobre mim, aconteceu algo extraordinário. Estávamos tão alheios de todos que talvez, se eu não estivesse atenta teríamos perdido. Não sei o que meu corpo viu, mas o que eu vi foi outra alma. Tão sozinha e lacrimosa quanto eu. Esquentei dentro de meu corpo dando pulinhos de felicidade e gritinhos de alegria. Acho que meu corpo entendeu, por que em pouco tempo aquela outra alma estava tão perto de mim que eu pude puxar assunto. E conversamos por horas... Em pouco tempo nos tornamos uma. Uma só alma e nunca mais nos separamos. Não houve mais entorpecimentos do meu corpo, na verdade, quando estávamos com aquela alma, era como se vivêssemos entorpecidos. De um modo bom...

Hoje não tenho mais um corpo, mas ainda tenho duas almas...


domingo, 27 de setembro de 2009



Amor Real


Quando me deixei levar pelos seus olhos, notei que, na verdade, não fora o formato dele, ou sua cor que me chamaram a atenção. Mas sim seu brilho. Um reluzir peculiar que dispara deles em direção à minha alma. Descobri que não consigo mais viver sem eles.

Notei também que sua alma, igualmente, brilha. Por mais que não seja o mais inteligente, ou culto, você é envolto por uma aura macia e agradável. Sempre disposto a tratar bem um amigo, ou amiga, e reservado com seus amores. Não os explana ou vulgariza, mas sim os conserva guardando-os bem fundo, num lugar onde só vocês podem estar. Procuro sempre a chave desse lugar, mas não tenho certeza se, se a tiver, quererei adentrar esse recanto secreto e provavelmente maravilhoso. Afinal eu mesmo nunca deixei que descobrissem o meu. Nunca deixei que percebessem o outro lado de mim, meu lugar de Amor Real. Onde não é mais minha mente que comanda meu corpo, mas sim meu coração. E ele é doce em sua tirania, e carinhoso em seu ciúme. E ele espera, no jardim do meu lugar de Amor Real. Ele espera alguém para abrigar com seus braços. Coração como o meu, talvez o seu, nosso. Não sei ao certo, não poderia dizer. Afinal não há como mandar em nosso coração. Ele se abre à seu bel prazer, e quando o faz , se desarma. Até ferido, se realiza, se nos olhos de quem ama.

E bem, seu brilho, seu lugar de Amor Real, sítio isolado no qual eu gostaria de jazer o meu. Mas a realidade é que, paciência ainda é a maior qualidade que podemos cultivar.

Enquanto isso eu me sustento, sob o brilho do seu olhar.



sábado, 19 de setembro de 2009

Caminhos.



Entre dois caminhos perigosos eu me reparto, se eu pudesse mudar a pele que carrego, o faria.
Da minha voz mais profunda, traria melhores meios de cantar ou dizer, mudar.
Ainda parada aqui, nessa bifurcação, observe ambos caminhos escuros. Nada sei o que dizer deles, a não ser que me puxam, arrastam e eu não posso distinguir qual o mais arrebatador.
E enquanto eu não me decido, sinto mãos sobre mim, me dizendo que eu posso voltar se quiser. Mas não quero.

Tudo pode desabar em um piscar de olhos, isso acontece o tempo todo, você me diz.
E se eu pudesse mudar a pele que carrego pela sua, ou a que cobre os caminhos eu poderia dizer o que mais me agrada.

Mas você me puxa pela mão, um minuto, você me diz. Eu tiro os olhos da encruzilhada dos caminhos e olho para seus olhos verdes, enquanto atrás de mim eu sei que o outro caminho nos observa.
Você aponta os montes e eu respiro e aprecio a vista. As cachoeiras que nunca serão nossas e os pássaros que nunca seremos.
Mas o tempo apressa e meu coração descompassa. As duas mãos ocupadas, e me prendem e eu não sei mais me soltar.

E não faço a mínima idéia de qual caminho escolher.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Meg.


Posso dizer que poucas pessoas me surpreendem. Mas ela me supreendeu. Os dois minutos em que estivemos juntas, em que pude trocar com ela poucas frases, me revelaram tudo o que eu precisava saber!
Ela não é como outros, que me decepcionaram. Pelo contrário! Me mostrou que às vezes, pra variar, as pessoas são como nós queremos que elas sejam. Como nós precisamos que elas sejam, para que não se destrua o castelo de ar que criamos em torno de suas obras. E ela não o fez. Ela não me tirou seus personagens com uma pose prepotente ou desprezo.
Senti quando ela passou os braços pelos meus ombros para a foto, e quando assinou meu livro e quando me agradeceu pela publicidade gratuita que eu fazia de seu trabalho, ao obrigar todas as minhas amigas à lerem-os, para se interar de meus devaneios com Suzannah, Jesse e Paul.
E também, fiz amizades. Ri um bocados com essas meninas que me mostraram que ainda existe um meio de conhecer pessoas divertidas ao esperar por um evento importante. Todas juntas em nossa aflição, nosso livros - amores-, nosso nervosismo e nossos gritos ao fim de tudo. Afinal, depois de nos controlarmos na frente da Rainha (não princesa!) - falo da Meg, não da Xuxa, que também pipocou pela bienal causando um reboliço básico -, procurando parecer pessoas normais e não adolescentes loucas com sede de sangue (rsrs!), nós tinhamos que extravasar em algum momento! Gritamos sim! O coração satisfeito pelo encontro e a admiração renovada!

Obrigada Meg, por não deixar nossos sonhos morrerem!
Thank you Meg, for doesn't let our dreams die!
Because we're brazilian, and we NEVER give up!
WELCOME TO RIO!


Love, Bruna;



quinta-feira, 3 de setembro de 2009




Regina Spektor - Laughing With.

Descreve tudo o que eu tenho sentido ultimamente, seriam minhas palavras se não fossem as dela.
Tradução abaixo.

Laughing With (Tradução)


Ninguém ri de Deus em uma guerra

Ninguém está rindo de Deus quando está morrendo de fome, congelando ou muito pobre.



Ninguém ri de Deus quando o médico liga depois de alguns exames rotineiros

Ninguém está rindo de Deus, quando já é muito tarde

E é a sua criança que não voltou da festa ainda

Ninguém ri de Deus quando o avião começa a tremer incontrolavelmente

Ninguém ri de Deus quando vêem que a pessoa que eles amam

Está lado a lado com outra pessoa e eles esperam estar enganados



Ninguém ri de Deus quando a polícia bate à sua porta

E eles dizem: tenho más notícias, senhor.

Ninguém está rindo de Deus quando há fome, incêndio ou inundação.



Mas Deus pode ser engraçado

Em um coquetel quando você ouve uma tremenda piada sobre Ele

Ou quando os loucos dizem que Ele nos odeia

E eles estão com o rosto tão vermelho que você acha que eles vão engasgar



Deus pode ser engraçado

Quando dizem que Ele pode te dar muito dinheiro se você orar no caminho certo

E quando Ele parece um gênio que faz mágica como o Houdini

Ou concede desejos como o Jiminy Cricket e a Santa Claus

Deus pode ser tão hilário!

Ha ha

Ha ha



Ninguém ri de Deus em um hospital

Ninguém ri de Deus em uma guerra

Ninguém está rindo de Deus quando perde tudo o que tem

E não sabe pra quê



Ninguém ri de Deus no dia em que eles notam que estão vendo a última coisa que vão ver

É um par odioso de olhos.

Ninguém está rindo de Deus quando dizem "adeus".



Mas Deus pode ser engraçado

Em um coquetel quando você ouve uma tremenda piada sobre Ele

Ou quando os loucos dizem que Ele nos odeia

E eles estão com o rosto tão vermelho que você acha que eles vão engasgar



Deus pode ser engraçado

Quando dizem que Ele pode te dar muito dinheiro se você orar no caminho certo

E quando Ele parece um gênio que faz mágica como o Houdini

Ou concede desejos como o Jiminy Cricket e a Santa Claus

Deus pode ser tão hilário!



Ninguém ri de Deus em um hospital

Ninguém ri de Deus em uma guerra

Ninguém ri de Deus em um hospital

Ninguém ri de Deus em uma guerra

Ninguém ri de Deus em um hospital

Ninguém ri de Deus em uma guerra



Ninguém está rindo de Deus quando está morrendo de fome, congelando ou muito pobre.



Ninguém está rindo de Deus

Ninguém está rindo de Deus

Ninguém está rindo de Deus

Ninguém está rindo de Deus

Nós todos estamos rindo com Deus.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009





Estrelas



Enquanto eu olhava as estrelas, imaginava, apenas, um lindo rosto pontilhado por esses astros de luz própria. Notei então que não era o que as estrelas formavam o que realmente importava. Mas sim elas. As estrelas. Tão independentes, sabemos que mesmo mortas, brilham. Meu coração bateu forte de excitação quando pensei nesse detalhe. Como seria maravilhoso brilhar mesmo depois da morte. Seria magnífico. Todos olhariam para mim, apontando-me no céu.
- Vê aquela ali? Pois bem... Ela já se foi. Mas sua existência foi tão marcante que até hoje podemos vê-la nitidamente por aí.
Acho esse meu maior sonho. Ser lembrada depois de ir. Ir navegando pelos mares bravios do pós-morte. Algo que não conheço, mas que, esperançosamente, acredito ser o céu. Não o que vemos sobre nós, mas o que nos promete felicidade eterna. Ficaria feliz, brilhando nesse lugar magnânimo, acompanhada de anjos talvez. Recebendo, como uma indulgência, o descanso consciente.
Sinto inveja dessas estrelas. Essas que brilham, e morrem e ainda brilham após elas mesmas. Tão distantes de nós, infinitas. As estrelas... O sol é uma delas. Bem maior, vistoso. Ou apenas mais perto... Quem sabe? Os cientistas? Acho que não... Não de verdade.
Que a criação me emociona, é nítido. A natureza e seus mistérios. Tão bem guardados e ao mesmo tempo não. Estão aí para nossa admiração e usufruto.
Mas algo me deixa ainda mais lacrimosa... É a capacidade de um ser humano, quando feliz, guardar as estrelas nos olhos.

- * -




segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Diário de Arthure Colt



Finalmente a última parte de Layla. Depois de muito zanzar, consegui por um ponto final nessa parte.

Foto: Arte de Edvard Munch (Expressionista).

Layla (Parte 2)

Voltamos para nosso apartamento, onde Gordome, a Feiticeira, nos esperava. Como sempre sentada em sua cadeira de damasco, observando as vidas que caminhavam despreocupadas pelas ruas de Londres. Respirei fundo, absorvendo a atmosfera daquele lugar antigo, como sempre fazia. Gordome nem se incomodou em nos encarar, mas disse, voz controlada:
- Bruxas...
- Sim Gordome. – respondeu Cétrico, animado. – Belíssimas, como o melhor sangue mágico que já bebi! Você deveria ir conosco algum dia desses! Muito forte o sangue dessas duas.
E se jogou no sofá de veludo roxo com um sorriso nos lábios morenos. Meu irmão era egípcio. Tinha o rosto liso de séculos atrás, quando fora transformado. Tinha apenas 16 anos. Mesmo com 400 anos ele não deixara para trás esse ar de adolescente.
- Soube de Amaethon, Mãe? – perguntei, meio sem jeito. Seu silêncio era apenas para Cétrico, já que em minha cabeça ela enviava imagens da festa como se estivesse estado lá. Mas não estava. Gordome era quase tão velha como Amaethon. Alguns milênios a menos acho. Duvido que ele fosse se ressentir da ausência dela, já que haviam se desentendido umas décadas atrás.
- Soube. Aislin fez o favor de me enviar as imagens da festa. Muito boa aquela vampira. Sempre gostei dela. – tremi quando Gordome pronunciou o nome Dela com sua voz sibilada. Ela se levantou da cadeira e me encarou do alto de seu metro de setenta. Tinha cabelos imensamente compridos e quase que totalmente grisalhos. Salvavam-se algumas partes acinzentadas. Me fitou firme com seus olhos azuis frios. – Você não deveria ter deixado ela te possuir daquele jeito. Não na frente de Amaethon. Ele poderia explodir sua cabeça com um pensamento.
- O que diabos eu poderia fazer? – perguntei desconsolado – Ou você se esqueceu de que tenho apenas três anos no Sangue. Ao todo, trinta de idade. Como eu deveria ter me portado frente aquele ser magnífico que me cheirou de modo tão completo? Deveria tê-la empurrado sem cerimônia? E mesmo que isso pudesse ter passado pela minha cabeça, como eu poderia tê-lo feito? Diga-me, Gordome?
- Não sei... – concluiu ela. Cétrico nos olhava atento. Seus olhos iam de mim para Gordome. – Só sei que não deveria ter sido feito. Repreendi Aislin por pensamento assim que vi as imagens. Mas porque ela me daria ouvidos? É a Líder agora. Não deve nada a ninguém. Mas eu também sei que ela não esperava o retiro de Amaethon, creio que ela pretendia ter um caso com você. Mas agora, que vai ter que passar por toda a cerimônia da retirada do Sangue de Amaethon, não creio que ela o faça.
Suspirei, acabado. Qual era o intuito daquela vampira? Me enlouquecer? Como eu poderia esquecer-me de sua fragrância? De seus belos olhos?
- Não poderia ser mesmo, mano. De qualquer forma acho que foi melhor assim. Já que se vocês tivessem mesmo ficado juntos por algum tempo você talvez nunca conseguisse se livrar no amor por ela. Veja os exemplos de Arquimedes e Igor. O primeiro tentou se imolar por ela. Sendo salvo por César e por ela mesma. O segundo mataria Amaethon para ficar com ela e faz de tudo para chamar sua atenção.
- Cétrico fala sabiamente. – disse Gordome. – Aliás, sei nas Bruxas. Não se apegue demais a moça, meu jovem. – aconselhou, olhando para mim.
- Porque? – perguntei.
- Porque duvido que durem mais do que meia hora... – sentenciou, se sentando novamente na cadeira para voltar a sua atenção, mais uma vez, para os passantes.
Me perguntei o que ela queria dizer com isso, e subitamente me lembre.
- A Inquisição... – e corri porta afora.
Corri o máximo que pude, mas não tive tempo. A fogueira já estava pronta, mãe e filha já estavam lá, quase nuas, amarradas àquela arma atemporal, e quando o fogo começou a lamber seus calcanhares, seus gritos estridentes me alcançaram, assim como os olhos de Layla, que por um segundo fitaram os meus, esquecendo naquele breve momento a dor lacerante que sentia. Não conseguiria tirá-las de lá, mas não poderia vê-las morrendo tão lentamente, e em uma fração de segundo pulei e quebrei seus pescoços. Primeiro o da mãe, e depois o da pequena e maravilhosa Layla. Vi com uma terrível tristeza seus belos cabelos vermelhos ardendo até que o cheiro de carne humana queimada me turvou os sentidos. Saí dali o mais rápido possível.
Gordome tinha razão quando disse que não durariam nem meia hora. Não deixei que durassem. Minha doce Layla... Espero que os céus tenham aceitado seu sacrifício queimado.
E com os olhos avermelhados das lágrimas que derramei enquanto roubava seus corpos da fogueira quase extinta e as enterrava no solo úmido, caminhei lentamente pensando quando eu finalmente poderia amar alguém. Alguém que não fosse queimada, ou Líder. Alguém que não tivesse títulos, apenas o de pertencer a mim. Só espero que não demore.

sexta-feira, 24 de julho de 2009





2. Diferente

- Sim papai! – gritou a moça, enquanto lavava os pratos.
- Querida, venha cá sim?
Ela largou a louça e enxaguou as mãos alvas, e saiu da cozinha secando-as, em direção à sala.
- Aqui.
- Ah! Sim querida, me ajude com essa estante está bem?
Ela riu enquanto via o embaraço do pai. Ele tentava instalar o DVD que haviam comprado há pouco.
- Não consegue arrastar de volta Dr. Smith? – brincou.
- Já estou mais velho do que quando você nasceu, Rayne! Não tenho mais a mesma disposição... – lamentou o doutor cardiologista, Joseph Smith.
- Ah, aliás, eu queria lhe perguntar. – começou a moça enquanto caminhava até a estante, jogando o pano de prato nos ombros.
- Sim... – gemeu o pai, enquanto eles levantavam o móvel e o restaurava ao lugar de origem.
- Quem escolheu meu nome? Você ou mamãe? – seus olhos verde-claros brilhavam. Ele via nela uma cópia viva do ser que tivera por apenas algumas noites, mas que o marcara para toda vida. Aquela mulher, que nem humana era, que abalara todas as certezas do doutor renomado. E ele nem ao menos tinha certeza do que ela era. Apenas sabia que havia dado a ele o melhor presente do mundo. Sua filha Rayne. Mesmo sabendo que a jovem Rayne era diferente dos outros...
- Sua mãe, querida...
Disso Joseph tinha certeza. A pequena Rayne foi deixava ainda bebê em seus braços pela própria mãe. Chovia, e a mulher estava ensopada, mas o bebê seco e limpo. Faziam apenas cinco meses desde que ela havia sumido sem deixar rastros, apenas o coração partido do médico.
- Cuide dela... Já está com dois meses...
A encarou com espanto, enquanto ela lhe entregava o bebê.
- Não posso ficar com ela, Joseph. Ou você fica, ou eu a matarei. – sentenciou.
- Nunca! Está louca? – balbuciou, fitando a doce criatura em seus braços. – Cuidarei dela...
Ela virou-se para partir, mas antes, olhou-o sobre os ombros e sussurrou, com a voz embargada e o rosto manchado de algo que Joseph não pode ver o que era, a sala estava escura, apenas um facho da luz lunar iluminava o corpo belo do ser à frente de Joseph.
- Acho que... Bem... Rayne é um bom nome. – e sumiu sob seus olhos.
Enquanto a mente de Joseph vagava pelos mares do passado, a jovem Rayne o observava. As janelas fechadas e as cortinas cerradas. Os olhos brilhantes dela e a iluminação fraca da lâmpada deixavam à vista um pouco da estranheza daquela família de dois.
Ray era diferente. Os cabelos lisos corriam pelos ombros, diferentes dos ondulados da mãe, assemelhavam-se aos de Smith, mas a cor meio avermelhada dos fios era a mesma. Os olhos tão verdes, e os cílios pesados. O nariz afilado, a alvura da pele perfeita. Os caninos tão pontudos... Joseph levou a mão ao pescoço. Ainda tinha as cicatrizes frias...
- Papai? – chamou-o preocupada.
- Hã? Sim... – respondeu ele, voltando à realidade.
- Está tudo bem?
- Sim querida... Vá terminar sua tarefa.
Ela assentiu e voltou para a cozinha, enquanto Joseph Smith se deixava cair da poltrona marrom, e abaixava a cabeça nas mãos fortes. Pensava no futuro. O que aconteceria à sua pequena? Com apenas 17 anos... O que seria dela? Seria como a mãe, com aquela intolerância ao sol, a preferência pela carne mal passada... Ele apostava em vampiros, mas não sabia. Não sabia o que aquela mulher era, assim como não sabia o que sua filha era. Nenhuma doença durante a infância, mas a frieza da pele...
Suspirou e se levantou, afastou os pensamentos duvidosos e se concentrou nos fios à sua frente, sua prioridade agora era fazer o moderno aparelho funcionar.

sábado, 18 de julho de 2009

O Despontar da Lua III







Aislin se espreguiçou na cama, como uma gata, enquanto Victor a observava, sorrindo.
- Vamos, meu amor! Vamos para Londres! – disse ela, num salto.
Ele arregalou os olhos, surpreso.
- Mas não ficamos aqui em Portugal nem duas semanas! – exclamou.
- Passamos por Paris, Espanha, Itália, Alemanha... – comentou ela, contando nos dedos - Sua mãe não está em Londres? – o encarou. Os olhos verde-claros fixos nele.
- Sim... – sussurrou.
- Sem contar que foi onde seu pai nasceu! Deveria conhecer!
Victor voltou o rosto para a janela, observando o sol nascente.
- Ele não é meu pai... Rejeitou-me! – disse sorrindo amargamente.
- Trade não sabe o que é bom... – disse ela enquanto lhe sorria e o abraçava, carinhosa.
- Ele se lembra da vida de humano, como você? – perguntou, de súbito.
- Não muito... – respondeu ela, saindo de seu abraço e caminhando até a sacada. O sol batia fraco em seu rosto e Aislin se deliciava com os raios quentes na pele gélida. – Mas eu sei tudo sobre ele... Vi quando tomei seu sangue! Seu vasculhar bem... quando quero. – completou, rindo um pouco.
- Qual o nome humano dele?
- James. James Hildegard. Ele tinha uma esposa chamada Eve, e uma filha a quem deu o nome de Caroline. A menina era um pequeno bebê, e a esposa tinha 19 anos quanto ele desapareceu sem deixar rastros.
- Ah... – Victor se perdeu em seus pensamentos. E pensar que a descendência de sua irmã poderia estar por aí... Caroline Hildegard.
- Não fique esperançoso. As possibilidades de isso acontecer são nulas! Já faz 126 anos. – disse Aislin, lendo seus pensamentos. – Além disso, o que falaria para eles?
- Nada... – respondeu, embaraçado. – Apenas olharia uma única vez a família que nunca foi minha.
Aislin via a dor nos olhos de Victor pelo fato de ter sido rejeitado por Trade. Ela bem sabia como era isso... Havia rejeitado sua única cria... O único ser do mundo que possuía seu sangue antigo e poderoso. Sempre tivera medo de criar novos vampiros a partir de si, já que era muito forte e seu sangue poderia transformar o humano num vampiro perigoso demais.
E a única herdeira de seu sangue ela rejeitara. Preocupava-se a cada dia com o que poderia acontecer àquele ser tão diferente... Rayne...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E as rosas sangram...





Oh sim, as rosas sangram, sei que sangram.
Quando o luar as toca, frio, elas reluzem a cor, escarlate, e sangram.
Sei também que as rosas falam.
Falam quando espetam os dedos delicados dela.
"Não me matem", dizem as rosas. As rosas falam e sangram.
Vou confessar que as rosas vivem, e que amam.
O coração das rosas bate inocente, mesmo assim amam as rosas.
Ainda que as arranquem, matem, beijem, mesmo assim sangram.
As rosas.
Simbolo de paixão, bonito adorno.
Tão belas e mudas, falam.
Vivem amando essas rosas, tolas rosas que sangram e choram.
E suas lágrimas rubras, do fundo da alma vem sem avisar, mancham as brancas pétalas da rosa que triste esconde seu olhar.
E olham para a lua fria, as rosas, e sangram porque é assim que as rosas sabem amar...

domingo, 28 de junho de 2009

Carta,





Olá.

Ou talvez eu devesse começar com "bom dia". Mas apesar de ser dia para mim, quem garante que será para você. Ou ao menos bom. Não tenho como dizer, então começo com o tradicional "olá".

Essa missiva é somente para te lembrar que estarei aqui. Sempre.

Você foi embora, deixando somente um vento frio onde antes era seu lado da cama.

O sol no horizonte me lembra, igualmente, que tudo chega ao fim. Asim como o "bom dia" é finito, assim é o amor, a vida, a história.

É verdade, você se foi e eu nada fiz para que ficasse. Mas achei que seria bom se você lesse algo, algo que talvez fisesse com que você visse que eu não era completamente indiferente à sua partida.

Desculpe por fingir que não me importava, e por muitas vezes, fingir tão bem que até eu mesmo acreditava.

Eu ainda te amo, ainda que não queira.
Tenha um bom dia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Céu azul, blue e amarelo.

Apenas cores, pintam a vida.
Azul, blue, amarelo.
Cor dos seus olhos, se apenas...
Cores na aquarela.

Poderia falar, seu espírito, meu iterlocutor.
Te espero anciosa, perdida no espaço.
Se a música preenche, nós vamos em frente
Colorindo o céu sempre.

Azul, blue, amarelo.
Se brincamos com as pessoas, cores provocam deslumbramento.
Ok, talvez esteja um pouco atordoado entre sentimentos.
Nem sempre sentimos saudades daquilo que perdemos.

Cores e mais cores dançam.
Nada faz sentido na tela.
A verdade é mais do que colorida
O que devemos é usar mais ela.

Azul, blue, amarelo.
Nunca fui poeta, mas as palavras são gratuitas
Então as uso como as cores
Para cantar o universo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009




Meu Amor.




Quando ela me olhou com aqueles olhos marejados, as lágrimas encobrindo seu verde maravilhoso, notei que definitivamente havia algo errado. Estávamos no topo da montanha, e o mundo abaixo de nós parecia simplesmente não existir.
Acompanhei os movimentos de seus braços alvos, e ela levou as mãos ao pescoço gracioso, que por tantas vezes eu havia beijado e cheirado a fragrância inebriante que seu corpo emanava. No momento que ela estendeu o colar dourado em minha direção, as lágrimas já rolavam pelo seu rosto mimoso. Seu cabelo, tão vermelho, balançava ao vento, e as sardas graciosas espalhadas pelas bochechas, tornava ainda mais doloroso suportar seu olhar angustiado.
Poderia observa-la por anos a fio, mas somente arrancando a alma que eu carregava. Oh! Amor! Que o nome que lhe deram não era o suficiente. Meu Anjo.
Estiquei minha própria mão, morena, calejada pelo trabalho, cansadas, brutas. Ela soltou o colar. O pequeno pingente de diamante brilhava esplendidamente sob a luz do Sol. Lembro-me bem do Sol, naquela tarde fatídica. Pois enquanto o céu se deixava pintar, perdido em seus tons arroxeados, mostrando que a escuridão chegava para a Terra. Assim como meu Amor me mostrava que a luz, que era ela, somente ela, que reinava em meu coração, havia, finalmente, se perdido.
Suspirei. Ela chorava copiosamente, mas seu rosto era impassível. Apenas seus olhos mostravam a Dor que ela sentia. Olhei de novo para minha mão, aberta, segurando o cordão que tanto significava para ela. Um pequeno anjo dourado com um coração de diamante. Sem dúvida era a personificação dela para mim.
Levantei meus olhos, encarei seus olhos. Morri. E quando a boca mimosa se desdobrou em um sorriso, daqueles que me perfurava o coração de modo tão completo que eu sentia como se todo o meu corpo jazesse em um mar de rosas. Morri de novo. Cada vez, era isso que ela fazia. Matava-me com sua distância, apenas para reviver-me, ressuscitar-me, com seu amor.
Beijou-me e minha Alma palpitou, ela sentiu. Mas isso não impediu meu Amor de se virar, dar as costas para mim. Dessa vez para nunca mais voltar. Olhou me mais uma vez, agora, cintilava abertamente, mostrando sua luz. Cortando-me, dilacerando-me o Espírito. Oh Deus!
E então voou. Exatamente como eu sabia que ela faria. Voou para o céu do crepúsculo, levando meu coração, amarrado ao seu. E na minha mente, morrerei lembrando de seu sorriso. Nada mais luminoso. Tanto quando o Sol. E seus olhos, que aprisionavam a mim mesmo, que roubavam o brilho das estrelas.
Meu Amor, meu Anjo.
Ainda estou na montanha.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Despontar da Lua (Continuação)




Victor a esperava impaciente. Às vezes queria fazer a vez de “homem da relação”, fracassando freqüentemente. Apesar de vampira, Aislin era muito independente e dona de si. Afinal tinha, nada mais, nada menos, que cinco mil anos. Meia década de milênios nas costas. Victor não se cansava de ouvir das suas incontáveis histórias, que sempre contava depois de uma boa hora de amor, que era por acaso muito bom, descobrira Victor. Por mais que ela nunca alcançasse o êxtase máximo pela penetração, como o mais novo, mas sim pela mordida. Adorava servi-la com seu sangue, e ela mesma já o presenteara com o próprio, que o deixou desacordado por alguns dias, por sua força e antigüidade.
Ela lhe contava sobre o cristianismo, sobre Paulo e os celtas. Apesar de nunca contar sua história na íntegra, lhe dava pequenos fragmentos de sua vida e morte. Victor sabia que ela fora uma princesa celta, também guerreira e que Amaethon era seu criador. Um vampiro dois mil anos mais velho que ela. Ele a ensinou tudo e, recentemente havia contado tudo sobre a origem dos vampiros. Victor a implorou que lhe revelasse, mas Aislin não o fez. Somente o que assumia o controle sabia, e ela estava na liderança no momento.
Victor sabia também das regras. Era bem fácil ser vampiro na verdade. A única regra que, quebrada, trazia a morte, era a de guardar o Segredo.
- Nosso Segredo é tudo o que temos, meu amor... – disse-lhe ela. Sem a inflexão na voz, sendo apenas a vampira, não a Líder.
Outra regra era a da Infância. Assegurar-se de seu filho nascido até que ele complete a maior idade de cinqüenta anos. E o filho de sangue até os cinco anos de morto. Passar-lhe tudo o que sabe e ensiná-lo como se portar frente à sociedade humana. Essas, junto com a do Segredo, eram as únicas regras válidas no mundo vampiro. Outros problemas eram contornáveis, como traição e roubo. Mas, eles não se importavam muito com isso.
Ele mexia as pernas, estalava os dedos e olhava acima do mar de cabeças a sua frente. Não a sentia, por mais que procurasse sua presença. Quando duas mãos taparam seus olhos, teve um sobressalto, mas logo o cheiro de âmbar dançou pelas suas narinas e ele a reconheceu. Puxou-a pela mão fria e a tomou em seus braços.
- Achei que me havia abandonado... – sussurrou ao pé de seu ouvido.
- Pensei em fazê-lo... – pela voz via-se que ela sorria, jocosa. – Tem um belo humano do outro lado do salão.
- Não se atreveria! – a dor em sua voz a fez gargalhar baixo, docemente.
- Não... Não me atreveria.
Afastou o rosto do dele e o encarou com os belos olhos verdes, brilhantes. A forma de seus olhos era sensual, feminina ao estremo. As pupilas dilatadas mostravam à ele que ela tinha fome, mas sua calma o confundia. Seu nariz afilado combinava com a boca pequena e os lábios finos. Sorria para ele, mostrando os caninos tão pontudos e os dentes de baixo um pouco tortos, mas sem tirar a beleza do conjunto. Com certeza fora uma belíssima humana, que com o brilho da imortalidade se tornou simplesmente fascinante. Victor imaginava quantas batalhas não haviam sido travadas por ela, que fora morta com apenas vinte anos de idade. Aislin já havia feito um vaga alusão à um noivo e um amante em sua vida humana, mas nunca se aprofundou. Não gostava de falar de si, mas sim de suas aventuras pelo mundo. Coisas que havia visto, movimentos como o Iluminismo e a Revolução Francesa, que presenciou com tanta paixão como se, se tratasse de sua própria espécie.
Ela passou os braços pela cintura dele e chamou seus pensamentos de volta ao presente.
- No que pensa? – perguntou, já sabendo a resposta.
- Em você, como sempre... – e a beijou. Um beijo faminto pelo amor que ela lhe oferecia.
- Porque não vamos para casa? – perguntou, e em um minuto já estavam lá. No belo casarão de Aislin. Enorme, cheio de tecnologias. Menos no sótão, onde ficavam seus aposentos.
Quando pousaram no chão do quarto ele já abria o jeans dela, cuidadoso. Os beijos não haviam parado durante o vôo. Era fascinante flutuar com Aislin que, muito mais velha, fazia muito mais coisas do que simplesmente correr. Aislin podia ler pensamentos, voar e prever movimentos. Sem contar outras habilidades que Victor não tinha conhecimento, e ela achava melhor assim.
Nua, ele a deitou na cama grande de dossel, a madeira escura e os lençóis brancos de cetim puro contrastavam, e a pele dela se confundia com o pano pela alvura. Os cabelos castanhos brilhavam e a maquiagem já havia se destilado. Victor agora via a vampira descoberta. Seu rosto cintilava suavemente como se a pele trouxesse incrustados pequenos fragmentos de diamante. Os olhos tão vítreos e penetrantes, que deixariam qualquer humano tonto. A perfeição de sua cútis, o jeito adorável de seus seios e o ventre chato conduzindo o olhar até o sexo.
O mais novo sorriu, sorriu enquanto admirava aquela obra de arte viva. Se ela ficasse completamente parada poderiam tomá-la por uma estátua com luzes. Como as do Louvre. Beijou-lhe a boca rosada, enquanto ela tocava a pele ainda macia dele. Com apenas dois anos de nascido, Victor ainda trazia a pele de um humano, nova. Diferente da dela, dura como uma rocha. Gostava do contado entre as duas superfícies distintas.
Encostou os lábios nos ombros fortes dele, enquanto, sem mais delongas, ele a tomava sua mais uma vez. E quando ela abriu a boca, os olhos já inteiramente negros, e quando a mordida veio, ela tomou do sangue dele mais uma vez...

- Agente Johnson! A quantas anda o tal caso das “mordidas”? – perguntou o superintendente Oliver Melt.
Pirce Johnson ergueu os olhos das dezenas de pastas que analisava com desespero. Procurava uma linha de tempo, como e quando, por que. Procurava padrões, métodos e conclusões. Achava algumas coisas, mas não entendia o porquê do fim! Um belo dia vários cadáveres, no outro nem um só sinal de que aquilo havia acontecido. Não havia mais assassinatos, e sem corpos não havia casos, pistas à seguir, nada!
Os cabelos louros desgrenhados e as olheiras mostravam que há tempos ele não tinha uma boa noite de sono.
- Er... Superintendente Melt! Estamos trabalhando nisso... Eu estou! É que parece que o maníaco deu um tempo. Não há mais denúncias...
- Sim, Johnson. Ou ele está simplesmente ficando mais cuidadoso. – sugeriu com a voz rouca pelo cigarro. O superintendente Melt era um homem de meia idade, durão. A barriga saliente mostrava que ele havia abandonado o serviço de campo, para se enfurnar no escritório dando ordens e comitivas à imprensa.
- Tenho certeza de que não há como ele saber das investigações, superintendente.
Oliver Melt encarou o rapaz de cima à baixo. Novo, por volta dos 27 anos, o agente Pirce Johnson sempre fora um destaque. Nunca cedia às investidas da corrupção. Pelo contrário, sempre fora muito dedicado ao seu trabalho e isso o estava matando. Agora a tal obsessão com o maníaco das mordidas. Pilhas de corpos drenados e com furos no pescoço.
Johnson havia até mesmo mencionado a possibilidade de seres sobrenaturais!
- Tenha certeza de que não haverá vazamentos, Johnson. Mas mesmo assim, não se empolgue muito com isso, logo virão ordens de cima para que eu lhe dê algo concreto em que trabalhar, e não essa baboseira de mordidas.
Dizendo isso, Oliver Melt se virou e entrou em sua sala.
- Droga! – reclamou Pirce, enquanto descia o punho fechado na pobre mesa de aglomerado. Tinha raiva porque há um ano trabalhava nesse caso, e até agora nada! Onde, diabos, ele iria achar esse monstro?
Lembrava-se das histórias que seu pai lhe contava antes de morrer... Vampiros...
- Não viaja, Johnson! – ordenou para si mesmo enquanto se jogava novamente em meio aos papéis, meio louco, procurava algo de humano naquilo, e não vampiros. Não existem coisas como vampiros... Não...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Tudo muito Supernatural né?

Série maravilhosa.

Boa notícia: trabalho novo, estudo fervilhando!

Má noticia: computador deu problema, perdi os casos de Arthure! Mas não se preocupem! Escreverei de novo assim que tiver tempo. Enquanto isso que tal um paralelo?


O Despontar da Lua



1.Líder

Ela sorriu para o jovem rapaz a sua frente. A criança-vampiro de apenas dois anos de idade, a olhava, fascinado. Sua beleza de cinco mil anos ultrapassava os limites terrenos, e tocava o divino com delicadeza inexorável.

Os cabelos ondulados, brilhavam sob a luz vasta do salão. Compridos, eles corriam pelos seus ombros. A calça escura estava apertada nas pernas fartas dela, e a blusa verde lhe caía perfeitamente.

A música no ambiente combinava com seus passos rítmicos. O rosto belo, quase humano pela maquilagem. Ela envolveu o pescoço dele com os braços e o balançou conforme a música, apertando-o contra si. Enchia-o de tesão, e ele tentava contê-la, mas como sempre não conseguiu. Rendeu-se aos carinhos ousados, mas discretos, da vampira tanto mais velha.

De repente ela tomou seus lábios em um beijo voraz. Ele a queria, como sempre. Mas estavam ali para tratar de outras coisas, e quando o beijo acabou ele pediu por mais.

- Não, meu bebê! Resolverei meu problema, e depois vamos para casa. Lá você poderá fazer o que quiser comigo, Victor. – disse encarando-o nos olhos tão azuis quanto os que ela conheceu há um ano atrás.

- Está bem, Aislin... – sussurrou, mais uma vez nas mãos daquele ser antigo e persuasivo.

- Me espere aqui. – ordenou, antes que se virar e se colocar na brecha entre as pessoas, na frente da porta, que foi aberta no exato momento, o vento balançou seus cabelos, e fez com que seu cheiro se espalhasse. Um rosto se voltou para contemplá-la, receoso. Sorriu-lhe e com um pensamento, informou que o esperava do lado de fora. E quando o vampiro piscou, ela havia sumido. Correu ao seu encontro. Não deveria deixar Aislin Stephannon esperando! Não era prudente...

Quando saiu para o ar livre, olhou ao redor. Não estava ali, nem mesmo seu cheiro ou sua presença. Piscou, confuso. Não poderia ter imaginado-a... Poderia?

Enquanto pensava, foi surpreendido pela vampira que pulou à sua frente.

- Olá, Igor. – cumprimentou em sua voz profunda, sensual.

- O que deseja, Aislin?

Ela lançou-lhe um olhar perigoso, faiscante.

- Não sabe quantos problemas nos têm causado, Igor.

- Está usando maquilagem? – perguntou surpreso, ignorando estar interrompendo a anciã. O que era uma imprudência magnânima.

- Sim... Por sua causa e de seus amigos imbecis! Matando e deixando corpos e mais corpos à deriva! Eles estão juntando os fatos, Igor! E cada droga de cadáver com furos no pescoço é mais uma pista até nós! – sua voz se distorcia na alteração. Tom decidido, preponderante, líder.

- Mas, Aislin! É que...

- Cale-se, idiota! Seu vampiro ignorante! Mal mil anos carrega já pensa que pode fazer alguma coisa, Igor! Você não é nada! NADA!

- E quem é você para falar? – gritou de volta, em uma crise de insanidade.

- Ainda pertenço às Leis, Igor.

- Onde está Amaethon?

- Ele dorme.

- Então quer dizer que ele te deixou no comando?

- Ele não me precisa “deixar”, meu caro. Sou a mais velha após ele. Naturalmente, eu assumo quando ele não está. Afinal, era uma princesa antes, sei dominar muito bem.

- Então ele te contou da onde viemos? – Igor perguntou esperançoso. Era impossível dissuadir Amaethon, mas talvez Aislin não seja tão difícil...

- Não lhe interessa. – cortou-lhe os pensamentos. – Só estou lhe informando, Igor. Ou você e seus bufões param com essa palhaçada, ou eu arranco a cabeça de todos à mordidas.

A sobrancelha esquerda arqueada, nos olhos o fogo, mostravam ao vampiro que Aislin realmente pretendia aquilo.

- Com Amaethon teríamos um julgamento... – comentou.

- Verdade. – concordou ela, com as mãos esguias no queixo, pensativa. – Mas eu não sou Amaethon, e comigo tudo se resolve à base de sangue.

Ele arregalou os olhos para ela.

- Espero que não queira pagar para ver, meu caro.

Dizendo isso, Aislin se virou e saiu. Voltou o rosto e disse por cima do ombro.

- Não seja estúpido Igor! Eu posso ler seus pensamentos.

E adentrou novamente o bar lotado.


Conhecendo mais Aislin Stephannon.
;*

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Diário de Arthure Colt [1-2/6]



LAYLA

Na época em que queimavam bruxas, pensadores e qualquer um tolo que se opusesse à tão certa e santa Igreja, eu conheci à ela. Layla Doytsvack. Em Londres. Descendente de irlandeses era uma das mulheres mais lindas que já havia visto. E seu cheiro... Ah! Seu cheiro! Quase enlouqueci quando ela passou por mim nas ruas sujas da cidade. Belíssima. A segui e descobri logo que morava em um dos bairros mais afastados da cidade e que sua casa, uma mini-fazenda caindo aos pedaços, era a última do lugar. Quase na floresta. Quando a vi entrando em casa, parei, longe, apenas observando.

- Vivem apenas ela e a mãe. – disse uma voz atrás de mim.

- Aham. Notei. – respondi, calmo.

- Sou Alexander Holt. – disse o camponês, apertando minha mão. – Por que veio até aqui se só vai ficar olhando? – perguntou, direto.

- Vim para isso...

- Acho que também faria isso se tivesse seu porte. Sabe? Deve ser um nobre né! – afirmou, olhando minhas roupas finas.

- Sim, sou um duque. – menti.

- Ah ta aí! Proponha à ela. Soube que vem esperando um marido há tempos... Mas sempre rejeita os camponeses. Talvez um duque...

Sorri para ele.

- Mas tome cuidado... – começou, fazendo um leve suspense.

- Com o que? – perguntei.

- Dizem que elas são bruxas.

Achei aquilo muito engraçado mas não ri.

- Tenho que ir agora senhor...

- Colt. Arthure Colt.

- Até! – e saiu, com um gesto bem brusco me deixando a sós com meus pensamentos. Bruxas hã? Seus cabelos vermelhos e cacheados poderiam ser um sinal disso. Não eram essas as lendas? Bruxas identificadas por seus cabelos vermelhos e seis dedos nas mãos. Sorri. Mas quem era eu para duvidar delas? Não era eu mesmo um vampiro?

- Ai ai... – sussurrei, enfiando as mãos nos bolsos e me virando. Estava meio fraco. Até que aquele Alexander tinha um bom cheiro...

Dois dias depois a vi mais uma vez, desta vez adotava uma postura totalmente suspeita enquanto carregava um pacote que se mexia. A segui novamente e observei da janela que era um bebê. Ela havia desembrulhado o pequeno e a mãe se aproximava. Mulher já madura, mas ainda bonita. Em muitos traços lembrava a filha, jovem e viçosa.

- Ele está doente mamãe. O pai o jogou no lixo! Aquele maldito asshole! – xingou-o na voz mais suave que meus ouvidos já tinham presenciado.

- Shiu! Acalme-se Layla. Vamos cuidar dele.

E a mais velha saiu. Layla permaneceu observando aquela criatura frágil, que já não tinha forças nem para chorar. O bebê se mexia periodicamente, mas pelo seu cheiro eu já notava que a morte se aproximava dele.

- Aqui. – disse a mãe, trazendo uma tina cheia de água. – Vamos logo garota!

Layla correu até a sala e pegou, de dentro de uma caixa vermelha um punhal, envolto em veludo negro. O punhal era prateado e tinha umas inscrições antigas. Para meu susto, Layla cortou o pulso verticalmente e deixou que algumas gotas de seu sangue atingissem a água. Depois deu o punhal para a mãe, que fez o mesmo, enquanto a filha estancava o ferimento com o veludo, passando-o para mãe depois.

Ao olhar para seu braço cortado, notei que não havia mais nenhum machucado ou marca. O pano continha alguma magia, com certeza.

- Pegue o menino, ordenou a mãe. E Layla obedeceu, mergulhando-o na água, enquanto a mãe falava algumas coisas, acho que em latim. Passaram-se alguns segundos, e quando o bebê emergiu, estava vivo e saudável, mas chorava de fome. Layla abriu o vestido e deixou o peito alvo à mostra. A mãe apertou o seio esquerdo da filha e pronunciou duas palavras, o leite saiu e Layla começou a alimentar o bebê dali.

Eu estava extasiado! Havia presenciado um ritual de bruxaria assim, ao vivo! E era tão maravilhoso. O jeito como ela havia salvado a vida daquela criança! Bem, depois de me refazer da emoção, voltei para cidade, um amigo me esperava.

- Cétrico! – abri os braços. – Saudações, amigo.

- Como vai Arthure? – perguntou-me o vampiro moreno. Egípcio.

- Bem, bem. Algo de novo?

- Sim. Vão dar uma festa. Em Paris, devo logo dizer. Sabe que Amaethon se estabeleceu lá né?

- Ouvi falar... – murmurei.

- Vamos? O Líder vai estar presente, acho que deveria vê-lo.

Cétrico era meu irmão de sangue, ambos criados por Gordome, a vidente, e era um bocado mais velho do que eu, algo de cem anos. O que o fazia mais sábio, e se ele dizia que eu deveria ver o Líder, eu obedeceria. A bruxa ficaria para depois...

- Vou. – respondi.

Estávamos no salão, mais de duzentos vampiros, de várias etnias, estavam reunidos nos trajes da moda parisiense da época. Eu usava um conjunto preto, a cor que sempre gostei, já Cétrico usava algo meio mostarda. Ele adorava chamar atenção.

- Olhe, Art. – chamou-me ele, ao pé do ouvido. – Vê aquele ali? – apontou para um vampiro alto, esguio, os cabelos castanhos curtos, grego. Usava uma casaca cor de vinho tinto.

- Sim.

- É o vampiro dos meus sonhos! Arquimedes, é o nome dele!

Balancei a cabeça. Como Cétrico é passional! Enquanto conversávamos e comentávamos sobre os outros, senti uma presença estranha. Uma força que me puxava para baixo, me tonteava. Vacilei e Cétrico me segurou.

- Controle-se, sussurrou para mim.

Mas, eu podia ver que todos estavam afetados pela força daquela corrente. A música soava, e um véu negro cobriu o ambiente, minha visão ficou turva e logo me apoiei em meu irmão. Quando tudo desvaneceu, lá estavam eles. Uma mulher em um lindo vestido vermelho, os cabelos castanho-avermelhados caiam meio enrolados pelos ombros e os olhos de jade brilhavam muito. Estava de braços dados a um vampiro alto, esguio, como o tal Arquimedes, mas tinha os cabelos loiros muito compridos, até os cotovelos. Estavam meio presos, deixando à mostra o rosto sobrenatural, olhos azuis, oblíquos, ele observava a todos atentamente. Depois, olhou para a vampira ao seu lado e sorriu. Tomou-a pela cintura e começaram a rodopiar. Acho que isso significava que a festa havia começado, já que todos os outros vampiros fizeram o mesmo. Meu irmão me empurrou para uma vampira negra de belos olhos castanhos e dançamos como mandava o figurino, mas meus olhos não se afastavam dela.

- Quem é? – perguntei à Cétrico quando rodopiamos perto um do outro.

- Aislin. – respondeu em um sussurro.

- Falavam de mim?

E lá estava ela, sem perucas ou nada que escondesse sua beleza natural. Tremi. Podia sentir seu poder antigo, meu sangue novo borbulhava pelo dela. Uma música suave sobreveio-nos e ela puxou-me, tomando-me da outra vampira. Me deixei levar. Sentia o cheiro forte dela, a pele perfeita roçando no veludo de minha casaca. Os olhos fixos em mim. Ela largou os passos da dança e passou os braços pelo meu pescoço, o nariz afilado passando pelo meu volta do meu queixo, aspirando meu sangue pelos poros.

- Céus, como você cheira bem... – sussurrou a voz macia, sobrenatural. Derreti-me no abraço de Aislin, mas sentia que algo estava errado. Quando saí do sonho ao qual ela havia me arrastado notei que todos no salão nos encaravam, inclusive Amaethon. Fiquei com medo, mas ela disse:

- Não tema, você é meu agora. - beijou meu pescoço e saiu, deixando-me confuso, mas feliz. Cétrico correu para mim e disse.

- Venha, temos que sair agora!

Não entendi a pressa em sua voz, nem a agitação em seus gestos, apenas o segui, ainda com o fitar nela. Aislin.

- Oh meu Deus! – gritou Cétrico quando estávamos longe o bastante. – Oh meu Deus!

- O que foi?

- O que diabos foi aquilo? Como você deixou que ele respirasse você daquele jeito? – perguntou-me, beirando o desespero.

- O que você queria que eu fizesse? Ela me entorpeceu! – argumentei.

- Claro, claro... Ela é Aislin não é?... Bem, nesse rendez-vous de vocês dois Amaethon anunciou que vai se deixar ao sono, e Aislin vai tomar o comando até que ele decida voltar, se decidir.

- Isso significa que...

- Nada de relacionamentos com a Líder, mano.

- Mas ela...

- Ela o que?

- Ela disse que sou dela, pertenço à ela!

- Claro! Quem não? Ela quase morreu há alguns anos quando ajudou Arquimedes a escapar da morte! Ele se jogou no fogo por ela!

- Minha nossa!

- E Igor Goebbels? Que mata por aquela vampira? Amaethon mesmo tem uma coleira no pescoço escrito o nome dela, por mais sutil que seja! A vampira é a mais cobiçada e não é porque ela é a Líder! Mas ela nunca, ouça bem irmão, NUNCA, permaneceu muito tempo com ninguém. É a Ascendente. Só pode se entregar totalmente àquele quem ela fará o próximo Líder, e peça aos Anjos que não seja você!

- Por quê? Porque não eu?

- Porque isso significaria estar sob o comando dela o tempo todo, sem mais escapadas ou caçadasdo jeito que você gosta. E Aislin não é misericordiosa. Na verdade ela não conhece essa palavra. Está fora do dicionário dela. Voltemos para Inglaterra e vamos deixar os Anciões cuidarem do assunto. Todos com menos de 700 anos foram liberados, o que indica, nós.

E foi então que voltamos para Londres, andando, conversando sobre a festa, a qual perdi pois estava cercado pelos braços de Aislin, e Cétrico me contou sobre como conhecera Arquimedes, como ele era apaixonado por Ela e etc.

- Vamos descansar? – perguntou-me.

- Não, mano. – retruquei – Tenho algo a lhe mostrar antes.

Ele assentiu e corremos até a fazenda, nos arredores da cidade.

- O que sente? – perguntei e ele aspirou o ar, sorrindo em seguida.

- Ah! Sangue mágico! Bruxas!

- Então elas existem...

- Claro! Tome do sangue delas e tenha certeza de que ficará ainda mais poderoso. E o melhor... Elas adoram se oferecer a nós. Mas são raras! Muito raras!

- Não quero matá-la.

- São duas, mano.

- Mas a Layla, não quero matá-la.

- Ora essa, pode beber de seu sangue sem matá-la. Esqueço o quão novo você é... É só se controlar. Venha, vamos fazer uma visita.

- Mas, Cétrico! São três da manhã!

- Bruxas não dormem.

Andamos até a porta, o vento frio em nosso rosto. Cétrico bateu com violência na porta e depois de alguns momentos a mãe a abriu.

- Mas que diabos...

Sua raiva durou apenas até que a luz da lamparina atingisse nossos rostos.

- Oh! Oh minha deusa! São... São...

- Sim, sussurrou Cétrico.

- Entrem, entrem! Não estávamos preparadas.

- Não é preciso preparo. – disse meu irmão.

- Layla, Layla – gritava a mulher pra dentro da casa. – Corra, venha logo garota!

E logo apareceu ela, os lindos olhos azuis brilhando pra mim, apenas um robe sobre o corpo que eu sabia nu.

- Queremos seu sangue, mas meu irmão aqui não quer que matemos vocês. – disse Cétrico, rindo sadicamente.

A mais velha tirou seu próprio robe, mostrando o corpo ainda jovem que carregava, não poderia ter mais de 35 anos.

- Pegue o quando quiser. - disse, provocante.

Cétrico andou até ela, olho negros e grandes presas saindo pela boca. Ele sorria quando mordeu o seio esquerdo da mulher. Ela se derreteu em seu abraço e eu olhei para Layla. Ela estava assustada, surgi ao seu lado, deixando-a sobressaltada.

- Se acalme. – sussurrei em seus ouvidos. Tomei sua mão e a levei ao quarto, encostei a porta e beijei de leve seus lábios rosados. Ela me agarrou, de um jeito meio nervoso.

- Beba, beba do meu sangue. – murmurou, aterrorizada.

- Não sou um monstro, Layla. – disse à ela. Que me encarou subitamente.

- Quero fazer amor com você.

Puxei o cordão do robe de passei os dedos pelos seios duros e cheios, me ajoelhei aos seus pés e chupei seus mamilos como se fossem uma fruta suculenta, ela gemeu, e eu me abaixei mais, brincando com minha língua em seu sexo. Ela se apoiava no dossel da cama e arquejava.

Levantei-me, e ela me abraçou, beijando-me. Notei que dessa vez seu abraço era de puro desejo e tesão e não de dever, obrigação. A deitei lentamente na cama, soltei os cabelos tão cacheados, que faziam cosquinhas na ponta afilada de meu nariz. Descobri, explorei, cada parte daquele corpo esguio e quando a penetrei com cuidado, ela gemeu tão alto que achei que a havia machucado, mas não, via em seu rosto o prazer e a dor juntos. Era sua primeira vez, e no meio daquela cuidadosa relação, mordi seu seio, levando-a ao ápice inúmeras vezes. E quando a deixei, dormia sorrindo. Cobri seu corpo com o lençol e saí, para encontrar Cétrico e a bruxa mais velha, que se apresentou como Ilda, conversando abertamente.

- Onde está o bebe? – perguntei.

- Você viu aquilo? Claro, claro... Demos à uma família. A mulher era estéril. – respondeu.

- Bem, está satisfeito, Cétrico?

- Sim, mano. Estamos indo Ilda. Foi um prazer...

- O prazer foi meu. Voltem quando quiserem.

- Sim, sim. Aliás, acho que meu amigo deixou sua filha um tanto fraca no quarto, dê algo para que melhore.

- Sim sim, não há riscos. – respondeu ela, com um gesto enfadonho.

E assim fomos nós.

Quando me amei de verdade (Charles Chaplin)


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-Estima.
"Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passava de um sinal de que estou contra as minhas verdades. Hoje eu sei que isso é... Autenticidade.
"Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e começei a ver que tudo que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento."




Uma pequena amostra do gênio que foi Charlie, não apenas no cinema.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Enquanto crio...

Vai aí uma coisa velha, que escrevi há trevas!
Enquanto isso trabalho em mais um dos casos de Arthure Colt!

Batidas.

Batidas. Batidas de um coração fraco. Lítio. Entorpecente. Qualquer coisa que me faça dormir. Dormir. Talves nunca mais acordar. Daqui há alguns anos... Por que não? Fechar os olhos... Dormir sem sonhar. Sonhos...
Sonhos, a banalidade de um espírito simples. Espíritos complexos e tontos, como o meu, só geram pesadelos. Revelações em uma palavra.
Amor...

- Pra que se ama?
- Para que um dia se diga: "Eu amei".
- O que é amar?
- É entregar a vida à um ser, que na maioria das vezes, nem se importa. É dar-se da cabeça aos pés, dormir desarmado no meio de uma guerra.
- O que é a vida?
- Vida?... É uma procissão sem fim de pessoas, que na maioria das vezes não permanecem, que não tem fim exato... E quando acaba, simplesmente, nunca teve algum sentido.
- O que tem sentido?
*Silêncio*
- Aí você quer demais de mim... Faça outra pergunta.
- O que são estrelas?
- São pontos de luz no céu... São pontos que Ele te dá pra traçar seu próprio caminho.
- Como aquelas revistinhas de desenho pra completar?
- Aham...
- E a lua?
- A lua... A Lua é o olho dos amantes... Que, na verdade, nunca amou.
- E o sol?
- É um bola de fogo... Única coisa que nos mantém aquecidos.
- Posso perguntar mais?
- Sim...
- O que é a Morte?
- Morte?
- Sim.
- Morte é o abismo onde a procissão da Vida cai.
- E acaba ali?
- Acho que sim...
- Que patético!
- Onde você vem aprendendo essas palavras?
- Eu leio!
- Humpf. Tá lendo demais.
- Mas não tem sentido...
- O que?
- Acabar assim.
- Lá no comecinho você me perguntou o que tinha sentido...
- E o que você disse?
- Ah! Volta lá e lê!
- Você não respondeu!
- E continuo sem saber a resposta.
-Não sei mais o que perguntar...
- Não pergunte mais nada. Agora, durma.
- Pra que?
- Simplesmente pra dormir...

quarta-feira, 18 de março de 2009

O Diário de Arthure Colt [Parte 1/6]



Um dia me disseram que diários eram bons. Que faziam com que nunca nos esquecêssemos do que passamos. Mas a verdade é que eu nunca me esqueço. Criaturas como eu não se esquecem. Talvez fosse melhor começar com uma apresentação simples. Mein name ist Herr Colt. Ou melhor, meu nome é Arthure. Arthure Colt. Nasci há alguns anos atrás em um lugar que hoje chamam Alemanha. Vi guerras, anteriores à aviões, vi deuses perecerem e estilos mudarem. Mudei com eles. Me adaptei. Fazemos isso. Aprendemos novas gírias, expressões. Novas abordagens.
Mas não vim aqui para falar de mim.
Muitas mulheres já passaram pela minha vida, talvez você deva notar. E todas elas tiveram o mesmo destino doce da morte em meus braços. Nenhuma, devo logo ressaltar, nenhuma, sobreviveu a mim. Ninguém o faz. Se existe algo parecido com a morte, este seria eu. Atraente, misterioso e perigoso. Mas não me pense como um ser cruel e frio, pois não sou. Eu as amei. A uma em especial. Mas vou lhe contar sobre cinco delas. As que, sem dúvida, mais me marcaram. Todas me pertencem, e seus sangues correm em minhas veias. Centenas delas. Mas essa meia dezena são as que mais me assombram.


Esses são os nomes, não em sua respectiva ordem:

. Layla (1785)
. Kristie (1854)
. Glória (2008)
. Kelle (2001)
. Munique (1942)

Começarei com ela, aquela que me encantou com seu jeito sério e metódico. A mãe ariana de três filhos arianos em uma Alemanha nazista. E devo dizer, esposa de um marido grotesco.






MUNIQUE

Como o nome da cidade assim se chamava ela. Os cabelos loiros caiam lisos, mal presos, pela face fina, alva. O nariz afilado entre os olhos grandes e azuis, concentrados no legume que cortava com precisão. Umas das crianças, a menor, brincava no chão da sala com pequenas cruzes. Um símbolo da destruição de milhões de pessoas. O cheiro de seu suor me inebriava os sentidos. Em época de racionamento até os banhos eram controlados.
Depois de alimentar Carle, ela desceu até o banheiro e se banhou pela semana. Saiu com os cabelos molhados, o roupão puído. Quando o despiu, eu, que a observava da janela, arquejei. O corpo curvilíneo, longe de ser magra, mas tampouco gorda. Belíssima mulher. Pele perfeita. Ela se fitou no espelho, os olhos tristes. As lágrimas correram dos olhos alemães enquanto eu sentia a solidão que emanava dela. A campainha.
- Carle, é Frau Berta. Vá logo. – gritou.
- Tchau mamãe. – respondeu a menina, batendo a porta. Juventude Nazista.
E ela ficou ali. Um longo momento depois, se jogou na cama e respirou fundo. Vi o peito alvo subindo e descendo, ali, nua na cama.
A observei por minutos sem fim, quando ela finalmente se levantou e se vestiu de um vestido velho, mas asseado. Resolvi por sair de sua janela e ir caminhar pela rua, onde alemães andavam atarantados e crianças brincavam despreocupadas. Me sentei em um dos degraus de uma das saqueadas lojas judias que haviam no local, até que resolvi entrar. O judeu me olhava assustado. Afinal eu era obviamente alemão, e ariano, digamos assim. O nariz, os olhos, cabelos loiros compridos. Acho que o que ele mais estranhou foram os cabelos, já que naquela época todos eram bem cortados, ao passo que os meus passavam dos ombros, meio rebeldes, e eu não fazia questão de prendê-los.
- Tem algo pra vender? – perguntei, polidamente.
- O senhor deveria sair... Antes que o vejam. – disse, apontando para os soldados fardados, a cruz costurada nos braços, que encaravam a loja.
- Não nos farão mal. – respondi, solene.
Ele me olhou meio maluco e sussurrou.
- O senhor não faz parte do partido...
- Não, não faço.
Eu o encarava abertamente.
- Não compram aqui há tempos... Já não tenho quase nada... - murmurou, quase em lágrimas.
-Acalme-se, venda-me qualquer coisa.
- Tenho alguns cereais ainda... E morangos. Tenho morangos... Mas eles não sabem.
- Dê-me o que ainda tem, e os morangos. Embrulhe tudo. – pedi. E ele o fez, as mãos tremendo porque os soldados entravam na loja.
- Guten Morgen. – disseram.
- Guten Morgen. - respondi, e o judeu permaneceu calado, embrulhando as coisas.
- Morangos? – perguntou o mais baixo. – Tem cartão de racionamento?
- Não. Pago com moedas de ouro. Cartões não me valem de nada. – respondi, em afronta.
Me encararam com hostilidade.
- Você. – disse o mais alto apontando para o judeu – Onde conseguiu morangos? E você? – voltou-se para mim – Não é do partido.
- Ele tem morangos porque eu o pedi, e não sou de bosta de partido nenhum. Não tenho aspirações políticas.
O judeu estava a ponto de ter um ataque dos nervos, e os soldados chegaram ao auge da hostilidade tirando cassetetes de dentro de suportes nos cintos.
- Pretendem me bater? – perguntei.
- Vamos prendê-los. – cuspiram.
- Tentem.
Em meus olhos o brilho perigoso. Quando se aproximaram quebrei seus pescoços tão rápido que eles nem mesmo viram acontecer.
- Precisa levar algo daqui? – perguntei.
- N...Não... Tudo vendi ao senhor...
- Então fuja com sua família. – disse ao judeu, que me olhava assombrado, enquanto eu lhe empurrava uma pequena sacola cheia de moedas de ouro. – Vá logo, homem!
E ele se foi, com os olhos arregalados. Esperei e o vi saindo da loja. Joguei o álcool que achei na despensa nos corpos e em todo o chão e paredes, e queimei o lugar.
Quando Munique Stainer abriu a porta, os cereais e os morangos jaziam a seus pés e ela os pegou, antes que alguém os visse. Tentei me esconder, mas ela me captou. Fitou meus olhos e me olhou daquele jeito... Como um animal ferido. Deixei que as sombras me envolvessem por completo e ela fechou a porta.

Duas semanas depois a vi voltando, depois de levar os filhos à escola. Notei seu olhar de soslaio para o beco onde eu sempre me escondia para observá-la. E, pela primeira vez ela virou-se diretamente para mim e vi seus lábios na pronúncia:
- Entre.
Todos os dias eu via seu marido saindo pela manhã, ela levar os filhos à escola, depois voltava e trabalhava na casa, ou costurava, ou lavava, ou chorava.
Quando ela fechou a porta eu já estava lá. Se assustou com meu súbito aparecimento, mas se controlou.
- O que quer? – me perguntou, em um sussurro. Sua voz quase como uma punhal em meu estomago.
- Você.
A abracei e ela, como todas se entregou a mim, cada parte de si. Enquanto acariciava suas carnes ou quando passava o rosto pelos seus seios, os sussurros alemães da mulher que sofria... Mas em meus braços ela fazia o melhor. Se esquecia. Quando mordi seu seio alvo ela se desfez como uma estátua de açúcar em meus braços. De entregou à minha sede e em ondas a levei em meu abraço carinhoso, e sorrindo Munique deixou a guerra, os filhos, o marido. Mas eu bem sabia, sentia em seu sangue, que ela estava feliz.



Depois de fugir com seu corpo, seu sangue em minhas veias, e seus lábios nos meus, a enterrei em um vale. Enterrei bem fundo, para que a guerra não a atingisse, e então puxei algo do bolso. Um pacote de sementes que achei na loja do judeu. As enterrei com Munique, e hoje, quando visito seu túmulo, vejo que suas lágrimas deram frutos.